Crítica: O Joelho de Claire (1970)

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Eric Rohmer, um dos colaboradores da lendária revista Cahiers du Cinema e um dos principais nomes da nouvelle vague francesa, dirigiu seis filmes que fazem parte dos chamados Seis Contos Morais. Um deles é O Joelho de Claire. A trama mostra o experiente Jerome passando férias no lago D’aneccy. Lá ele encontra uma amiga de tempos antigas, a escritora Aurora. Na interação dos dois já podemos notar um dos pontos fortes do filme: os diálogos. As coisas ficam mais interessantes quando Aurora estimula Jerome a seduzir as duas jovens que compartilham a casa em que ela está hospedada. Aos poucos, Jerome passa a se encantar pelo joelho de Claire e botar a mão nele é a coisa que ele mais deseja no momento. A cena final é daqueles momentos inesquecíveis do cinema. Ainda mais quando a cena é comentada com inteligência, ironia e até humor pelos próprios personagens. O Joelho de Claire tem um ritmo mais lento, muitos diálogos e algumas ideais  debatidas. Se você gostar deste, sugiro ir atrás do restante dos tais contos morais. Essa foi minha primeira incursão no cinema de Rohmer e posso dizer que me empolguei com o que vi.

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Resenha de filme: Psicose (1960)

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Clássico absoluto. Hitchcock atinge o ápice do seu talento de maneira magistral. Uma mulher rouba 40 mil dólares do próprio chefe e foge. Ela dirige a esmo, até parar em um hotel de beira de estrada. Os 40 mil dólares não passam de uma desculpa para conduzir a moça até o hotel e perdem importância para a história. É o famoso MacGuffin, recurso narrativo muito explorado pelo diretor. A partir daí temos o melhor exemplo de como criar um filme de suspense. Tudo é construído para nos deixar com medo do hotel, do dono e de sua mãe. A cena do chuveiro é uma das mais famosas do cinema, não por acaso. Hitchcock investe em enquadramentos interessantes e perturbadores, dando vida a um filme dono de uma atmosfera muito intensa. Destaque também para a atuação de Norman Bates e o estudo psicológico que é feito sobre o seu personagem.

5

Crítica: O Selvagem (The Wild One, 1953)

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O Selvagem é um daqueles casos de um filme que marcou época, mas que não envelheceu muito bem. Marlon Brando interpreta o líder de uma gangue de motoqueiros que invade uma cidade e arruma um pouco de confusão. Se formos comparar com as atrocidades cometidas hoje em dia, o que esses jovens faziam não era nada demais. Um pouco de álcool, muito barulho, troca de socos, tentativas de abordar mulheres locais, dar zerinhos com as motos e assim por diante. Não consigo ver uma história relevante aqui. O filme serviu mesmo para impulsionar a carreira de Marlon Brando e também a venda de jaquetas de couro, pelo jeito. A ideia era mostrar que a juventude estava ficando um tanto delinquente, um tanto rebelde sem ter uma causa específica. A teatralidade de algumas atuações e a falta de uma trama mais elaborada tornam a experiência pouco interessante. As lições de moral também incomodam um pouco. De qualquer forma, a duração é bem curta, não há tempo para nos entediarmos. E vale a pena também para vermos um grande ator em início de carreira.
[6.5]

Crítica: O Lobo Atrás da Porta (2013)

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O Lobo Atrás da Porta é impressionante do começo ao fim e o impacto é ainda maior para aqueles que desconheciam o fato verídico no qual ele se baseia, como era o meu caso. Mais um exemplar da ótima fase que vive o cinema brasileiro, o filme nos mostra o já batido tema do adúltero de uma forma original e contundente. Tudo tem início com o desaparecimento de uma criança e a investigação policial que se sucede. São ouvidos a professora do colégio que entregou a criança para uma mulher misteriosa, Bernardo e Sílvia (os pais da criança) e a amante de Bernardo. Flashbacks nos mostram o desenrolar dos fatos, mas eles não são exatamente confiáveis. Mistério e reviravoltas estão presentes. Temos aqui uma mistura de drama, policial e thriller de grande competência. Há ainda espaço para o humor, principalmente pelas reações dos personagens diante de certas situações e por diálogos bem escritos, às vezes com algumas gírias e frases de efeito: “Vou dar um arrocha naquela vagabunda”, diz o delegado em certo momento. Mas aos poucos percebemos que O Lobo Atrás da Porta é um trabalho dos mais sérios, forte e corajoso, que mostra que o ser humano é capaz de praticamente tudo. [9.0]

Data de estreia: 05/06/2014
País: Brasil
Duração: 100 minutos
Direção: Fernando Coimbra
Roteiro: Fernando Coimbra
Elenco: Thalita Carauta, Juliano Cazarré, Milhem Cortaz, Leandra Lea, Fabiula Nascimento
Nota IMDb: 7.6
Aprovação RT: 86%
[info]

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Crítica: Lola Montes (1955)

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Lola Montes foi o primeiro filme a cores do diretor alemão Max Ophüls e também foi o último de sua carreira, pois em 1957 sua vida chegou ao fim em decorrência de um infarto. Por incrível que pareça, este foi um daqueles desastres comerciais gigantescos, praticamente levando os produtores a falência. O fato é que ao longo dos anos ele foi sendo cada vez mais apreciado e hoje é considerado obrigatório para quem quer aprender um pouco mais sobre o cinema, principalmente por possuir em cada frame a marca do talentoso diretor.

A história mostra Lola Montes, uma cortesã que virou uma atração de circo e é conhecida como “a mulher mais infame do mundo”. Flashbacks apresentam momentos importantes da vida dela, que teve relações com pessoas famosas e outras nem tanto, como um rei da Bavária e um soldado qualquer.

Visualmente temos aqui uma experiência realmente empolgante, cheia de cores, cheia de vida. É criada uma atmosfera barroca, que conta ainda com a marca registrada do diretor: movimentos de câmera que passeiam pelos cenários de maneira envolvente, técnica que influenciou nomes como Stanley Kubrick.

Críticos costumam descer a lenha na atuação de Martine Carol, por sua inexpressividade, mas acredito que ela fez um trabalho decente, jamais comprometendo o resultado final deste belo e marcante filme.
8/10

Amores de Apache (Casque D’or, 1952)

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Baseado em um acontecimento real, Amores de Apache nos transporta para uma impressionista e perigosa França da Belle Époque. O diretor Jacques Becker se preocupa com cada detalhe dos figurinos, cenários e até com a atitude dos personagens, alcançando uma atmosfera das mais autênticas.

O enredo foge de qualquer tipo de complexidade. Trata-se de um drama romântico envolvendo um triângulo amoroso, um código de honra e um óbvio fim trágico.

Elevado pela magnífica atuação de Simone Signoret e pela inesperada mistura de sensibilidade e brutalidade, Amores de Apache é um filme pouco visto, mas só pelo fato de ter influenciado cineastas como Goddard e Truffaut já merece nossa atenção, não é mesmo?
8.5/10

Crítica: Godzilla (2014)

Godzilla-2O ícone do cinema Godzilla merecia um filme que não fosse um insulto ao original de 1954 e é exatamente isso que o diretor Gareth Edwards consegue nos entregar aqui. Já podemos esquecer aquela versão problemática de Roland Emmerich de 1998.

O filme possui mais acertos do que erros e no final das contas temos um blockbuster que cumpre bem o papel de nos entreter.

Talvez o grande acerto desta nova versão de Godzilla tenha sido a opção do diretor de não revelar o personagem-título logo de cara, aumentando bastante nossas expectativas e o impacto de finalmente vê-lo na tela. Infelizmente, fica a sensação de que ele poderia ter aparecido um pouco mais. De qualquer forma, o roteiro merece aplausos por investir um bom tempo no desenvolvimento dos personagens humanos. Bryan Cranston e Aaron Taylor-Johnson tem atuações sólidas, colaborando para nossa imersão na história.

As cenas de destruição e dos combates entre o Godzilla e os outros dois monstros são dirigidas de maneira empolgante e elegante ao mesmo tempo. Não temos aqui aquela câmera tremida e planos fechados que vimos em Círculo de Fogo, o que já é um ganho imenso. Algumas sequências são de uma notória beleza, como quando vemos os paraquedistas se aproximando da cidade caótica.

Ainda tenho minhas dúvidas se havia necessidade de um remake, mas não vou negar que me diverti mais do que esperava.
7.5/10

Crítica: Gravidade (2013)

gravity-2013Em Gravidade, o diretor Alfonso Cuarón nos entrega uma experiência visual diferenciada. O forte do filme não é o enredo, mas sim a maneira como somos transportados para a imensidão opressiva do espaço. Após um acidente, os astronautas Ryan Stone e Kowalski se encontram sozinhos e em condições cada vez mais difíceis de sobrevivência. Graças a genialidade do diretor e a entrega dos atores, por 90 minutos fazemos parte daquela situação extrema. Cada avanço parece durar uma eternidade e temos a impressão de que a cada instante alguma ameaça se fará presente. Trata-se de um trabalho brilhante em termos de direção, fotografia e efeitos especiais. Daqueles raros casos que o 3D realmente potencializa as qualidades do filme. O lugar certo de assistir a Gravidade é mesmo na telona.
8/10 

Livro: Renato Russo – O Filho da Revolução

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Para aproveitar o lançamento do filme Somos Tão Jovens considero interessante tecer alguns comentários a respeito do livro Renato Russo – O Filho da Revolução. Escrito pelo jornalista paraibano Carlos Marcelo e publicado em 2009, o livro aborda desde a infância até o momento derradeiro da carreira do líder da Legião Urbana, sempre utilizando uma contextualização histórica e contando com depoimentos de nomes como Dado Villa-Lobos, Herbert Vianna e Tony Belloto. Na rede social Skoob as avaliações do livro são bem positivas. Eis uma bela forma de conhecer um pouco mais sobre uma das mentes mais criativas e poéticas da música brasileira. Você pode encontrá-lo nas melhores livrarias, com o preço na faixa dos 55 reais. Ótimo investimento.