Crítica: The Night Of

Uma das melhores minisséries produzidas pela HBO, The Night Of é uma experiência inquietante e intensa. Não tenho medo de afirmar que o primeiro episódio é uma obra-prima. Nele, somos apresentados a Nas, um jovem de ascendência árabe que sai com o táxi do pai para uma festa e acaba mergulhando em um pesadelo sem fim. Ele conhece uma mulher e aceita fazer uma corrida para ela. Conversa vai, conversa vem, os dois vão para a casa dela e após boas doses de bebidas e drogas Nas apaga, acorda e dá de cara com a mulher morta a facadas na cama.

O choque é imenso. Nas não sabe o que fazer e nós não temos certeza do que aconteceu. A única certeza é que a vida de Nas como ele a conhecia simplesmente acabou.

A tensão aumenta exponencialmente em The Night Of. Há muito suspense quando a policia entra em cena. Os investigadores pressionam o suspeito e apresentam evidências difíceis de serem negadas. Nas precisa de um bom advogado e existem dúvidas se John Stone pode defendê-lo. John parece ser o típico advogado de porta de cadeia, mas aos poucos vai se mostrando competente. John Turturro entrega uma atuação memorável, com direito a um monólogo estarrecedor em um dos últimos episódios. Temos que elogiar também o trabalho do roteiro, que se preocupou em desenvolver esse personagem de diversas formas. Ele até sofre de um tipo de eczema difícil de ser controlado, coitado.

The Night Of aborda vários aspectos de um crime de tamanha magnitude. Vemos o trabalho dos policiais na cena do crime, a coleta de evidências, o registro de cada detalhe, o julgamento e a vida na cadeia, tudo destrinchado minuciosamente. A chegada de Nas na prisão é extremamente sinistra. Sentimos o medo do personagem exalando, mas ele tem que se virar. Para sobreviver numa prisão dessas, Nas terá que dançar conforme a música.

Transitando por diversos subgêneros, é de se esperar que em alguns momentos a inspiração não seja tão grande. De qualquer forma, não se pode deixar de elogiar a ambição dos criadores.

Sem qualquer pressa, The Night Of desenvolve a trama com maestria. Há muita coisa por trás de um crime como esse e cada detalhe é importante. Será que Nas matou a garota? Fiz essa pergunta diversas vezes durante os episódios. É natural desejarmos uma resposta.

Mesmo que o desfecho não seja tão impactante como poderia ser, não há como não ficar impressionado com uma narrativa tão bem construída. Mais um enorme acerto da HBO.

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Crítica: Columbus (2017)

Columbus pode ser classificado como um pequeno grande filme. Discretamente pretensioso, sutil e trabalhando com temas do mundo real, é uma experiência que vai nos conquistando aos poucos. Casey e Jin estão passando por tipos diferentes de crise e acabam se conhecendo em meio a cidade de Columbus, Indiana. Eles tem em comum a arquitetura. Casey é uma entusiasta do assunto e Jin é filho de um renomado arquiteto. O pai de Jin estava na cidade para uma palestra, mas acaba ficando doente. Várias são as sequências que investem em diálogos cheios de significado entre os dois. São personagens que ganham vida e que passamos a nos importar. Ambos estão em meio a conflitos que podem definir seus futuros, mas nada é forçado. A naturalidade é um dos trunfos aqui. O diretor Kogonada consegue ainda explorar a beleza ímpar de alguns edifícios da cidade, fazendo de Columbus um filme extremamente bonito. Não pude deixar de me lembrar de Encontros e Desencontros e Paterson em alguns momentos. Se você gosta desses dois filmes as chances de gostar de Columbus são grandes.

Você Nunca Esteve Realmente Aqui

Título original: You Were Never Really
Ano: 2017
Direção: Lynne Ramsay
Elenco: Joaquin Phoenix, Judith Roberts, Ekaterina Samsonov

A trilha sonora intensa de Jonny Greenwood nos coloca no clima angustiante de Você Nunca Esteve Realmente Aqui. Nada convencional, o filme nos apresenta a Joe, um homem amargurado, cheio de traumas do passado e conflitos internos, Aparentemente, ele é um matador de aluguel contratado para serviços específicos. Um dos trabalhos será resgatar uma criança capturada por membros do governo para servir como escrava sexual. Joe precisa usar da violência, mas ele não é uma pessoa ruim. Ele cuida da mãe doente e demonstra preocupação com a criança que vai resgatar. A violência jamais é estilizada, mas costuma ser brutal. Às vezes, vemos apenas o resultado de um ato violento e aí a nossa mente pode imaginar o que aconteceu. Você Nunca Esteve Realmente aqui é uma experiência extremamente imersiva. É quase como um pesadelo que assusta e fascina ao mesmo tempo. São poucos diálogos e quase nada de exposição. Vá assistir preparado para algo diferente e difícil de esquecer, para o bem ou para o mal.
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Lucky

Título original: Lucky
Ano: 2017
Direção: John Carroll Lynch
Elenco: Harry Dean Stanton, David Lynch, Ron Livingston

Um dos últimos trabalhos do ator Harry Dean Stanton, Lucky não poderia ser mais emblemático. Ele interpreta um senhor de 90 anos que leva uma vida de hábitos. Ele acorda, faz seus exercícios de yoga, toma o seu leite, vai para uma cafeteria onde toma um café com muito açúcar e creme e preenche palavras cruzadas. Mais tarde, uma passadinha no bar local para um blood mary e mais conversa com seus amigos e conhecidos. Ele também não consegue ficar sem seus cigarros e sem os programas de televisão de que tanto gosta.

Lucky tem a fala mansa, é de poucas palavras e costuma ser direto, mas não agressivo. Claro que existem exceções e às vezes ele pode ficar bem irritado. De qualquer forma, é notório que ele é querido pelas pessoas da cidade. Quando uma síncope o faz consultar um médico ele começa a pensar com mais intensidade sobre algo inevitável: ele não irá viver para sempre.

O filme se desenrola sem pressa, como nos convidando para aproveitar com calma a bela fotografia, a trilha sonora e compartilhar com Lucky suas experiências. Ele conversa com vários personagens ao longo do filme e sempre há alguma coisa interessante sendo dita. Da mesma forma que o humor surge de maneira natural, reflexões um pouco mais aprofundadas sobre o mistério da morte são inseridas apropriadamente. Em certos momentos, é difícil não segurar as lágrimas. E o melhor de tudo é que o filme não usa da manipulação para que isso ocorra.

John Carroll Lynch evita que o filme tenha uma atmosfera pesada e melancólica. Melhor que isso, ele nos oferece uma experiência cheia de sensibilidade e que nos faz refletir sobre muita coisa.

Famoso por seus papeis em Paris, Texas, À Espera de um Milagre e Alien, o Oitavo passageiro, o ator Harry Dean Stanton faleceu pouco tempo depois do término das filmagens.
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The Americans – 5×13: The Soviet Division

O episódio anterior acabou com um cliffhanger intenso, aumentando ainda mais as expectativas para esse season finale. The Soviet Division cumpriu bem o papel de preparar as coisas para a última temporada e ainda investiu nos arcos de alguns personagens secundários, mas que gostamos bastante.

SPOILERS! 

Tuan é um garoto frio, calculista e totalmente doutrinado pela ideologia que defende. Ele não esteva nem aí para a possível morte de Pasha. Para ele, só importava completar a missão. Já Phillip correu o risco de levantar suspeitas quando foi até a casa de Pasha, mas ele claramente não está mais aguentando o peso na consciência. Talvez ele chegasse no limite se o suicídio de Pasha se consumasse.

Que momento fantástico foi a conversa entre Elizabeth e Tuan. Tuan provavelmente faz Elizabeth lembrar de como ela era antes. O diálogo dos dois mostra mais uma vez a qualidade dos roteiristas de The Americans e claro, de Keri Russell. Aposto que Tuan ficou um tanto assustado ao ver Elizabeth profetizando que um dia ele irá falhar se continuar sozinho.

No final das contas, o pai de Pasha parece irredutível em não voltar para a Russia.

Falando em Russia, a grande questão do episódio era a possibilidade de Phillip e Elizabeth encerrarem suas atividades nos Estados Unidos e partirem. Eles levam uma vida praticamente impossível, sempre atentos, sempre vigilantes e ainda criando dois filhos. Mas nos Estados Unidos eles jamais vão passar fome, eles podem jogar uma partida de squash, podem ter um armário repleto de roupas e um futuro promissor para os filhos. Será que vale a pena abandonar tudo isso para viver uma vida incerta na Russia?

Henry provavelmente não terá condições alguma de iniciar uma vida nova em um país tão diferente, ainda mais depois de saber que foi aceito na escola que tanto almejava entrar.

O fato é que a descoberta de que Breland (o pai de Kimmy) vai virar um chefão da divisão soviética da CIA faz com que Liz e Philip repensem tudo. Particularmente, acho estranho esse ser um motivo para fazer com que eles permaneçam nos Estados Unidos. Se eles querem mesmo abandonar o serviço era só passar a informação adiante e a Central arranjar outra pessoa para investir em Kimmy.

Paciência.

The Soviet Divsion teve mais duas coisas bem interessantes.

Foi muito bom ver Martha na Russia aprendendo essa língua tão difícil. E ainda melhor foi ela adotar uma órfã. Martha ficou visivelmente emocionada nessa cena trabalhada com muita sensibilidade. É bom ver que The Americans não esquece de seus personagens, mesmo aqueles que não são tão importantes no momento.

E para finalizar, parece que as suspeitas de Phillip se confirmaram: Renee provavelmente é uma espiã. Coitado de Stan. Essa historinha da casa ser inundada já foi estranha, mas ela dizendo que Stan não deve abandonar o seu trabalho na divisão da contrainteligência foi demais. Mas eu notei que Stan suspeitou de algo. Essa vai ser mais uma questão bem relevante para a próxima temporada.

Enfim, tivemos um episódio digno da qualidade do seriado. Aparou algumas arestas, levantou hipóteses e nos deixou empolgados para a conclusão que se aproxima.

 

O Caçador de Pipas

Narrado em primeira pessoa por Amir, O Caçador de Pipas nos apresenta a um homem com a consciência pesada devido a erros cometidos no passado. Agora ele vive nos Estados Unidos e irá nos contar sobre os eventos ocorridos no Afeganistão dos anos 1970. Lá ele tinha um amigo e também serviçal chamado Hassan. Hassan era de um povo considerado inferior naquele região, os hazara. Eles jogavam baralho, empinavam pipa, assistiam filmes, comiam romã direto da árvore e muito mais. O laço de amizade era fortíssimo, mas um dia Amir covardemente não impede que algo de muito ruim aconteça com Hassan. Um tempo depois, Amir tem mais uma atitude totalmente condenável que faz com que Hassan tenha que se mudar.

Tudo isso acontece em meio a invasão russa do Afeganistão, algo que irá mudar completamente esse país.

O autor Khaled Hosseini é hábil ao descrever detalhes do cotidiano afegão, nos permitindo entender como as coisas funcionavam por lá. Ele merece ainda mais elogios pelo desenvolvimento dos relacionamentos entre Amir e Hassan e também de Amir e o seu pai, o baba.

Tudo o que Amir queria era que o seu baba se orgulhasse dele, o que era difícil, pois Amir era um garoto ‘diferente’. Ele preferia ficar lendo livros e escrevendo do que jogando futebol. Para baba, faltava algo a Amir.

Anos depois surge uma oportunidade para Amir tentar se redimir. Será que agora ele terá coragem para fazer o que é certo?

O Caçador de Pipas é um livro muito fácil de ler. Khaled Hosseini tem uma escrita acessível e dinâmica, mas não apressada. Em momentos derradeiros ele cria bastante expectativa. O forte são os relacionamentos entre os personagens principais, com direito a diálogos marcantes. Há um certo exagero nos acontecimentos do ato final, que soam quase que implausíveis, mas estamos tão conectados com a história que relevamos.

Podemos julgar Amir como alguém que não deu valor ao seu melhor amigo e o prejudicou. Mas o fato é que as pessoas cometem erros ao longo da vida, ainda mais em uma idade em que a maturidade ainda está longe de chegar. Todos tem direito a uma segunda chance. Como diz Rahim Kham: Há um jeito para ser bom de novo.

Tempos Obscuros

O diretor estreante Kevin Phillips concebe em Tempos Obscuros (Super Dark Times) uma atmosfera carregada e melancólica. Apesar da bonita fotografia, temos certeza que este é um lugar perigoso para se estar. Logo na primeira cena vemos um animal agonizando no meio de uma sala de aula e sendo violentamente sacrificado. Seria um indício de que a trama nos reserva momentos inquietantes pela frente? Pode apostar.

Recriando com detalhes precisos a década de 1990, o filme nos apresenta a quatro adolescentes que fazem o que adolescentes costumam fazer: falar merda e aprontar. Quando eles resolvem se divertir com uma espada de samurai as coisas saem muito errado. O tom de Tempos Obscuros muda de vez e tudo vai ficando cada vez mais intenso, imprevisível, violento e um pouco forçado, convenhamos. Interessante ver a amizade entre Josh e Zach e descobrir muito sobre a personalidade de ambos, principalmente de Zach. A culpa corrói o garoto, que não consegue nem se relacionar com a garota pela qual é apaixonado.

Tempos Obscuros se destaca também por investir em simbolismos e possibilitar interpretações. Não se trata de um filme difícil de entender, mas é fato que ele exige uma dose maior de atenção. Mas mesmo que você acabe deixando passar alguma coisa, é certo que irá aproveitar a pegada de thriller, a fotografia e a boa química dos atores.
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Beasts of No Nation

feras de lugar nenhum 1

Em alguma nação africana cujo nome não nos é revelado, Agu é só mais uma criança que corre, brinca e apronta. Ele e sua família possuem dificuldades econômicas óbvias, mas o amor está presente e eles se viram da melhor forma possível.

Tudo muda quando irrompe uma Guerra Civil na região. Soldados armados ignoram qualquer resquício de decência e em um piscar de olhos o menino Agu tem sua infância roubada.

Agu foge pela floresta, mas logo é capturado por um grupo de soldados que tem como líder um homem mais velho chamado O Comandante. Se quiser sobreviver, Agu terá que ele mesmo se transformar em um soldado. Passado algum tempo, ele já não é mais o mesmo. Cigarro na boca, álcool no sangue, uma metralhadora na mão e um olhar que demonstra que inocência não faz mais parte dele.

Beasts of No Nation faz um bom trabalho ao adaptar para o cinema o material original. O diretor Cari Joji Fukunaga consegue criar cenas esteticamente belas, mas essencialmente brutais. Várias são as sequências em que sentimos necessidade de desviar o olhar. Isso acontece não por elas serem exageradamente gráficas ou viscerais, mas por vermos crianças e jovens cometendo as atrocidades.

Crianças? Não mais.

O meio fez com que as crianças se transformassem em assassinos. Beasts of No Nation, além de funcionar como obra cinematográfica, é um importante lembrete de uma situação tão triste como essa.

Não bastasse a violência dos conflitos e o vício em drogas, elas ainda acabam sendo vítimas de abuso sexual.

Como vocês podem ver, este é um filme difícil. Mas apesar de tudo, existe sempre um pouco de esperança e conforto em sinceros laços de amizade.

Como a história é contada pelo ponto de vista do garoto Agu, ficamos ainda mais investidos neste personagem. A atuação de Abraham Atta é memorável. Felizmente, ele foi lembrado em importantes premiações como o Film Independent Spirit Awards.

Além disso, o público está aí para enaltecer esse jovem ator e esse filme pesado, mas extremamente relevante.
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Extinção (Extinction, 2018)

Extinção é mais uma bomba produzida pela Netflix, que precisa urgentemente melhorar a qualidade de seus filmes. Somos apresentados aqui a um homem que está sofrendo com pesadelos. Ou será que são visões? Ele vê uma invasão, o mundo destruído e sua família sofrendo. As sequências alternando entre essas visões e o presente fazem o ritmo de Extinção algo errático. Quando menos percebemos as coisas começam a acontecer rápido demais. Não existe tempo para criar um mínimo de empatia por Peter e sua família. Aberrações em forma de clichês se fazem presentes, principalmente nas atitudes das filhas de Peter, que obviamente servem apenas para deixar todos em risco. Por um dado momento, achei que estava diante de um fraquíssimo spin-off Colony. Com efeitos especiais irregulares, atuações no piloto automático e uma reviravolta pouco inspirada, Extinção é uma experiência sofrível.
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Lollapalooza Brasil 2018

Dia 1: Royal Blood, Chance The Rapper, LCD Soundsystem, Red Hot Chili Peppers

Marcamos presença no Lollapalooza de 2013, mas naquela época o evento acontecia no jóquei clube. Foi a primeira vez que fomos em Interlagos e aprovamos a experiência. Claro que é difícil uma organização perfeita, mas dessa vez não há muito do que reclamar.

Pegamos um hotel próximo da estação de trem, que é o melhor meio de chegar até lá. É longe demais para ir de carro, ainda mais considerando o trânsito nada amigável de São Paulo.

Desde a saída da estação até o autódromo tem uma distância considerável para caminhar, mas é tudo organizado, com sinalização e relativa segurança. Dá para ir tranquilo e já ir entrando no clima. A fila para entrar foi sempre pequena, talvez pela revista um tanto migué dos funcionários.

Lá dentro é tudo gigante. Tem muito banheiro e quiosques para comer e pegar bebida. Dependendo do lugar ficava mais cheio, mas se você desse uma procurada encontrava um lugar mais vazio.

Nem achei a distância entre os palcos tão grande. A distribuição tinha lógica e não percebi sobreposição de som. O que complica é que o povo costuma ser um tanto lento no deslocamento, aí em shows com um curto intervalo entre eles a coisa podia ficar meio corrida.

Chegamos, pegamos uma budweiser e fomos para o primeiro show.

ROYAL BLOOD

E começamos com o pé direito. É difícil imaginar que uma banda consiga fazer um som tão competente assim apenas com bateria e baixo, mas é isso que faz a dupla inglesa Mike Kerr e Ben Thatcher. Com energia, força e intensidade eles mandaram uma mistura de hard rock e garage rock de qualidade, fazendo boa parte do público sair do chão em vários momentos. O show foi no palco mais legal do Lolla, o ônix. Tem umas dunas ali que permitem uma visão mais do que privilegiada.

CHANCE THE RAPPER

Chance The Rapper é um dos rappers mais elogiados atualmente e foi fácil entender porque. Não vimos o show inteiro, mas deu para ver que ele canta com muita autoridade, parece até um show gospel e falo isso como elogio. Os arranjos são muito bem trabalhados e colaboram para a experiência.

O fato é que a fome e a sede apertaram e este foi o melhor momento para ir atrás de algo.

LCD SOUNDSYSTEM

Gosto bastante do LCD Soundsystem, mas tive uma certa dúvida se ao vivo eles soariam interessantes. James Murphy e seu grupo tiraram minha dúvida rapidamente. Essa mistura de dance-punk e synthpop é viciante. Não foi um show empolgante no sentido de ficar maluco e pulando para cima e para baixo, foi mais um esquema de sentir a música, tomar uma cerveja e entrar num mundo paralelo. A qualidade técnica deles é absurda.

RED HOT CHILI PEPPERS

Apesar de ter ouvido muito Red Hot na adolescência não me considero fã da banda. Mesmo assim, me empolguei bastante no show dos caras. É absurdo o número de hits que eles tiveram na carreira e a galera cantou junto quase o show inteiro. Alguns cantaram todas as músicas a plenos pulmões. Dá para ver que eles tem uma legião de fãs aqui no Brasil.

Ficamos no meio para trás e deu para aproveitar bem. Foram vários momentos marcantes aqui. Flea é o cara. As interações dele com o público já valem o ingresso, ainda mais porque ele é levemente doidão. E toca muito! Teve bastante jams, teve cover de Jorge Ben Jor feito pelo injustiçado guitarrista Josh Klinghoffer (não é fácil substituir o Frusciante), Hump the Bump com um brasileiro na percussão e um convite do Flea para comparecermos na igreja no centro da cidade às 3 da manhã. Eu, hein?

Saímos um pouquinho antes do show acabar e apesar da imensa massa caminhando rumo ao trem, deu para pegar o primeiro logo que chegamos sem stress.

Dia 2: Anderson .Paak, The National, Pearl Jam

ANDERSON .PAAK

Malibu foi um dos álbuns que mais escutei em 2016, portanto tinha boas expectativas para ver o Anderson .Paak ao vivo. E ele mandou bem! O californiano sabe como contagiar o público. Com batidas dançantes misturando soul, funk e rock, o show teve um clima descontraído e agradou bastante.

THE NATIONAL

Após o show do Anderson .Paak muita gente deixou o palco principal e essa foi nossa oportunidade de ir para perto da grade. Eram poucos os fãs de The National que estavam ali. O pessoal estava mesmo esperando o Pearl Jam, provavelmente muitos nem sabiam qual era a do caras. Aposto que muitos procuraram saber mais sobre a banda depois do show. É impressionante como o The National toca bem ao vivo.

O vocalista Matt Berninger tem um estilo todo cool e descompromissado. Aos poucos, ele vai ficando cada vez mais intenso e isso passa para o público de um jeito inevitável. O cara até tacou um copo de cerveja na galera. Eles preferiram tocar músicas um pouco mais agitadas e deram preferência ao novo álbum, o que acabou deixando alguns clássicos de fora. Foi uma pena não poder ouvir Start a War, Karen e About Today ao vivo, mas fazer o que?

Destaque para a estrondosa Mr. November e seu refrão.

PEARL JAM

Nunca fui muito fã do Pearl Jam, mas ver ao vivo o politizado Eddie Vedder é diferente. Ele até falou português! Conheço pouco da banda e prefiro as músicas mais lentas tipo Breath, mas deu para ver que a galera ficou maluca. Confesso que prefiri sair antes para voltar com mais tranquilidade.

Dia 3: The Neighborhood, Liam Gallagher, The Killers

Nosso objetivo era chegar cedo e pegar um lugar o mais perto da grande possível até o The Killers. Teríamos que racionar água e abdicar da ida ao banheiro. Cerveja? Melhor não. Foi cansativo, mas valeu a pena.

THE NEIGHBORHOOD

Os caras tem umas músicas meio parecidas, mas até que decentes. O público era grande e sabia cantar boa parte do setlist. A banda criou um clima bacana no Lolla e foi uma digna preparação para o resto do dia/noite.

LIAM GALLAGHER

Depois desse show passei a me interessar mais pelos irmãos Gallagher e pelo Oasis. O cara é foda! Ele tem a alma de um rock star, não dá para negar. Dessa vez o show transcorreu sem problema algum. Nada de sinusite ou de falhas no som. Como estávamos bem perto do palco tinha bastante fã do Liam ali, alguns bem exaltados. Como não cantar Wonderwall em coro?

THE KILLERS

Essa foi a terceira vez que vimos o The Killers ao vivo e é fácil perceber que eles evoluíram muito ao longo dos anos. Mesmo sem Keuning e Stoemer, o nível foi altíssimo.

O show foi um verdadeiro espetáculo. Cada música recebe algum tratamento especial, seja no jogo de luzes, papel picado, nas imagens do telão, na interação do Flowers com o público e até a roupa que ele veste. Isso são detalhes que engrandecem o conjunto, mas o destaque é mesmo a música.

The Man já fez todo mundo entrar no clima e Somebody Told Me mantém a galera pulando sem parar. Você já se sente conectado com a banda e com os outros fãs, não dá mais para parar. Deu para dar uma diminuída no ritmo com Dustland Fairytale, um momento mágico. As luzes de celular acesas na introdução deixaram até o Sr. Flores emocionado.

Foi legal ver a apresentadora da multishow tocando bateria em For Reasons Unknown. Acho meio arriscado essa ideia da banda de colocar alguém do público para tocar junto em uma música, mas quase sempre dá certo. Dessa vez deu muito certo.

E o que dizer da épica All These Things That I’ve com seu refrão cantando em uníssono com direito a uma aparição do Liam Gallagher no palco?

Para fechar, Mr. Brightside, talvez a melhor música indie do século. Em 2013 eles começaram o show do Lolla Br com ela, deixando todo mundo já ligado no 220 desde o começo. Dessa vez, serviu para encerrar o show no mais alto nível. Impossível não se empolgar.

Brandon Flowers tem total controle sobre o show. O carisma dele é inegável e além disso canta muito, cada vez mais afinado e seguro. Senti em alguns momentos que o guitarrista substituto não conseguiu corresponder tão bem, mas não chegou a atrapalhar.

Tomara que eles cumpram o prometido e não fiquem mais de 5 anos sem aparecer por aqui!


– Top 3 Shows Lolla BR 2018

1. The Killers

2. The National

3. Liam Gallagher

 

 

 

Projeto Flórida

Moonee é uma garotinha de 6 anos que vive em um lugar chamado Florida Project. Este é um arremedo de hotel pouco confortável e barato que fica a uma curta distância do mundo mágico da Disney. Para Moonee e sua mãe o sonho americano não poderia estar mais distante. O filme nos mostra a difícil realidade de uma mãe solteira tendo que matar um leão por dia para dar de comer a filha e para garantir um teto sob suas cabeças.

A trama é das mais simples possíveis, a ideia é mesmo fazer um retrato de quem vive na linha da pobreza. Não dá para negar o empenho dessa mãe para garantir a sobrevivência de Moonee, o problema é que em todo o resto ela é uma péssima mãe. Trata-se de uma mulher jovem totalmente irresponsável, uma bomba relógio que tem dificuldade para conviver pacificamente em sociedade, dando exemplos diários para a filha de como não se comportar. E a garota aprende. Moonee e seus amigos passam o dia infernizando tudo e todos em sua volta. Sabe crianças que não tem limites? São essas que vemos em Projeto Florida. Elas aprontam coisas de deixar qualquer um maluco, mas a mãe de Moonee parece não se importar muito.

O diretor Sean Baker deixa a história transcorrer com uma naturalidade que beira o documental. É fácil perceber que ele não faz julgamentos, apenas quer mostrar a situação complicada enfrentada pelas personagens principais. No final das contas, é praticamente impossível não sentir uma forte conexão com a garotinha Moonee. As lágrimas vão vir naturalmente com o desfecho pesado. A grande atuação de Willem Dafoe foi lembrada no Oscar, mas o filme merecia bem mais indicações.

Nota: 8

Os Melhores Filmes de 2017

Atrasadão, hein?

Você já deve ter visto quase todos esses filmes, mas se não viu, recomendo. Foram 10 filmes que me agradaram e ficaram na minha cabeça ao longo do ano. Sabemos quando a experiência é boa quando ela permanece por algum tempo com a gente. Até pensei em fazer algumas menções honrosas, mas achei desnecessário.

Vou elaborar uma frase sobre o que cada filme representa, pelo menos para mim.

10 Até o Último Homem

Impressionantes cenas de batalha e um personagem bem desenvolvido. É possível ir às lágrimas em alguns momentos.

9 Eu, Daniel Blake

A difícil luta de um homem comum contra um sistema opressor.

8 La La Land

A magia dos musicais preservada.

7 Paterson

Em todo lugar pode se encontrar poesia.

6 Logan

Logan mostra que é possível criar uma história de super herói envolvente e com boa carga dramática.

5 Dunkirk

Mesmo sem qualquer desenvolvimento de personagens, Dunkirk será lembrado eternamente por nos colocar dentro de uma batalha importante da Segunda Guerra.

4 A Qualquer Custo

Um western moderno com personagens bem trabalhados e um desfecho imprevisível.

3 Okja

A mensagem contra o consumo de carne é evidente, mas Ojka é muito mais do que isso. É um filme que diverte, faz pensar e emociona.

2 Moonlight

Moonlight é o filme certo na hora certa. Três atores diferentes dão vida a Chiron, o garoto negro cujas experiências de vida tem muito a nos dizer.

1 Terra Selvagem

Roteiro, atuações e direção acima da média nos entregam um trabalho brutal e inesquecível.