Peaky Blinders – Primeira Temporada

Após ler incontáveis elogios de viciados em séries sobre Peaky Blinders, finalmente assisti a primeira temporada e posso dizer que gostei do que vi.

A trama se passa na cidade de Birmingham, Inglaterra após a Primeira Guerra Mundial. Tommy é o líder de uma família que tenta galgar posições de prestígio no mundo dos gangsters. Dada a hostilidade do ambiente, não será uma tarefa fácil.

O foco dos peaky blinders está nas apostas de corridas de cavalo, mas há espaço para outras empreitadas.

Nossa empatia em relação a Tommy vai crescendo a medida em que vamos conhecendo seu passado e sua personalidade. O romance dele com Grace contribui para isso. As relações pessoais são trabalhadas com cuidado, geralmente propiciando situações tensas.

Um bom tempo dessa temporada é investido no jogo de gato e rato entre o inspetor Campbell e Tommy devido ao roubo de uma imensa quantidade de armas. Até o futuro primeiro ministro Winston Churchill faz parte dessa história.

Talvez o grande destaque de Peaky Blinders esteja no brilhante design de produção. A recriação de época é das mais cuidadosas, tornando a experiência mais rica.

A trilha sonora anacrônica também é um grande acerto, principalmente com a viciante música de Nick Cave nas introduções.

Alguns temas receberam apenas pinceladas, mas é um indício de que tem bastante coisa para acontecer nas próximas temporadas.

Nota: 7

 

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Crítica | Ele Está de Volta (2015)

Imaginem o que poderia acontecer se Hitler se materializa-se na época atual e visitasse diversas cidades da Alemanha. Essa é a instigante premissa de Ele Está de Volta, filme alemão lançado em 2015 que deu muito o que falar.

Investindo na história do peixe fora d’água, Ele Está do Volta cria situações extremamente eficientes de humor. Um humor politicamente incorreto, é claro. Outro ponto positivo está na forte crítica social. Muitas cenas são reais e improvisadas e é um tanto perturbador ver tanta gente endeusando uma figura responsável pela morte de milhões.

É uma pena que Ele Está de Volta perde a força e aos poucos se transforma em uma verdadeira bagunça. A piada fica sem graça depois de uns 30 minutos e a crítica se torna repetitiva. Para piorar, há um exagero na quantidade de temas que o roteiro tenta abordar. A longa duração é outro problema.

No final das contas, trata-se de uma boa ideia que aos poucos foi sendo desperdiçada. Pelo menos, fiquei curioso para ir atrás do material original.

Nota: 6

 

Crítica | Nasce Uma Estrela (2018)

Nasce Uma Estrela foi um projeto arriscado, afinal a direção coube ao estreante na função Bradley Cooper e como atriz principal foi escolhida uma cantora que nunca havia sido a estrela de um filme. A suposta aposta se mostrou acertada.

Bradley Cooper comanda o filme com mão segura. Ele capturou com eficiência vários aspectos do mundo do show business, além de conceber cenas com grande carga emocional. O roteiro eventualmente soa apressado, mas como estamos muito investidos na história isso acaba não atrapalhando.

Mesmo com um enredo batido, Nasce uma Estrela funciona pois souberam atualizá-lo para os tempos atuais.

Ally divide o seu tempo entre um trabalho estafante e shows musicais em um bar de drag queens. Jackson Maine é uma estrela do country rock que já começou o seu período de decadência, apesar de ainda empolgar o público. Graças a uma feliz coincidência os dois se encontram e além de um relacionamento intenso, começam a se ajudar no palco.

Jackson Maine tem um problema que foi responsável por abreviar a carreira de muitos músicos talentosos: o vício no álcool. Ele também usa drogas ilícitas, mas é o álcool que está diariamente acabando com ele. Bradley Cooper compõe o personagem de uma forma sensacional, mudando o seu modo de falar e investido em uma linguagem corporal que diz muito.

Este não é um musical em que os personagens começam a cantar em vez de falar, mas a música obviamente é um dos principais atrativos de Nasce uma Estrela. Bradley Cooper surpreende com sua voz e Lady Gaga simplesmente brilha. Lady Gaga entrega uma performance extremamente competente, mas é cantando que ela realmente nos encanta.

Dois momentos merecem imenso destaque: a introdução do personagem de Bradley Cooper e, principalmente, a primeira aparição de Ally no palco cantando a agora famosa Shallow.

A crítica ao mundo do show business fervilha em diversas sequências. É sabido que muitas vezes não basta boas letras e uma boa voz para se fazer sucesso. Há todo um processo por trás disso envolvendo aspectos que na verdade deveriam ser irrelevantes. O problema é que o público em geral tem um certo apreço por coisas espalhafatosas. Confesso que é algo que não consigo entender. O que consegui entender muito bem quando os créditos começaram a descer é que eu estava diante de um dos grande filmes de 2018.

Nota: 8


By Brauns
ragingblog@gmail.com / Twitter

Crítica | Liga da Justiça (2017)

Os problemas na produção de Liga da Justiça se refletem no resultado final que vemos na tela. Com introduções apressadas de personagens, uma história protocolar e um dos piores vilões já vistos em adaptações de quadrinhos, temos aqui uma experiência decepcionante dentro do gênero.

O estúdio pressionou para que o filme não ultrapassasse duas horas de duração e isso impediu um melhor desenvolvimento de Aquaman, Flash, Cyborg e do vilão Steppenwolf. O caso mais grave, é claro, é do vilão. Steppenwolf nada mais é do que um ser das trevas que quer destruir tudo. Por que? Porque sim, oras. Nem mesmo o CGI dele é algo digno de nota.

Há quem elogie a participação do talentoso ator Ezra Miller como Flash, mas para mim as piadinhas de uma linha do personagem são tudo menos engraçadas. Na verdade, as considerei irritantes na maior parte do tempo. O único momento de humor do filme que funciona está no trailer.

Liga da Justiça foi uma tentativa de mudar a atmosfera carregada dos filmes anteriores da DC. O que eu acho difícil de entender é o fato de que eles já haviam acertado a mão no ótimo Mulher Maravilha e agora vacilaram feio.

A trama pedestre em nenhum momento empolga. São basicamente duas grandes cenas de ação e um monte de blá blá blá entre elas. Para piorar, o pequeno grau de tensão que havia desaparece completamente quando o Superman entra em cena.

Vamos encarar os fatos. O Universo Estendido da DC ainda tem muito o que aprender com a Marvel.

Antes que alguém me chame de fan boy da Marvel já aviso que não estou nem aí para essa disputa tosca. O que me interessa é apenas a qualidade dos filmes. E, convenhamos, os da Marvel estão bem a frente.

Nota: 5

Crítica | Com Amor, Simon (2018)


Mais do que ousadia, há muita sensibilidade em Com Amor, Simon. Essa é uma história leve e divertida de amadurecimento e aceitação, mas o roteiro também não se esquece do drama e consegue fazer isso sem forçar a barra.

Simon é um garoto que sabe que é gay, mas tem medo de sair do armário. Ele tem bons amigos e uma família compreensiva, mesmo assim ele ainda não se sente capaz de dar esse passo.

O que impulsiona Simon a se revelar é o depoimento de um desconhecido no blog do colégio. A partir dai os dois trocam confissões e reflexões e logo um relacionamento virtual se consolida. Fica o mistério da identidade da outra pessoa, o que possibilita algumas expectativas curiosas.

Apesar do humor e da pegada mais tranquila, Com Amor, Simon nos oferece amostras de como ainda pode ser difícil para alguém se assumir, principalmente se considerarmos o bullying no colégio.

Como crítica, não posso deixar de falar sobre o irritante personagem Martin e o fato de suas atitudes reprováveis não terem sido adequadamente repudiadas pelo roteiro.

De qualquer forma, é um pequeno deslize de um ótimo filme que aborda um tema importante com equilíbrio e inteligência.

Nota: 8

Crítica | Cortina de Fumaça (1995)

Cortina de Fumaça (Smoke, 1995) é uma daquelas joias um tanto esquecidas do cinema. Com atuações memoráveis de William Hurt, Harold Perrineau, Forrest Whitaker e Stockard Channing, o filme nos delicia com diálogos inteligentes e naturais.

É na tabacaria de Auggie que quase tudo acontece. Auggie tem boas conversas com os seus clientes durante o trabalho e ali conhecemos personagens reais e fáceis de se criar empatia.

Alguns momentos são mais marcantes que os outros. Não há como não destacar a tentativa de aproximação de Rashid Cole com o pai que o abandonou e também o chamado projeto da vida de Auggie.

Neste tal projeto, Auggie tira uma foto do mesmo lugar, na mesma hora, todos os dias. Em um primeiro momento, tudo parece igual. Nada disso. Cada foto possui detalhes diferentes, como a iluminação, o tempo e as pessoas que aparecem. Cada foto é uma história nova. E assim a vida segue.

Cortina de Fumaça é uma experiência honesta e repleta de sensibilidade. Se você gosta de bons diálogos e personagens com uma química enorme, não pode deixar de conferir essa pequena maravilha.

Nota:

– Curiosidade: Giancarlo Esposito (o Gustavo Fring de Breaking Bad) e Jared Harris (Lane Pryce de Mad Men) tem pequenas participações aqui. Quem escolheu o elenco sabia bem o que fazia!

 

Crítica | Back in Time (2015)

Cresci vendo e revendo a trilogia De Volta Para o Futuro. Foram tantas às vezes que assisti a dupla Marty McFly e Doutor Brown em ação que sei muitos diálogos de cor. É difícil eu passar mais de dois anos sem revisitar a adorada Hill Valley. Na minha sala de TV tem até um quadrinho do filme com a expressão: great scott!

Como um fã da trilogia e de tudo o que ela representa, confesso que esperava um pouco mais do documentário Back in Time. Talvez fosse pedir demais se considerarmos o baixo orçamento, mas queria ver certos assuntos relacionados aos filmes melhor explorados.

O documentário é dividido em duas partes. Na primeira, temos umas pinceladas sobre a produção e entrevistas com alguns atores e atrizes. Na segunda, vemos como os filmes foram e ainda são importantes para vários fãs. Tem gente dedicando a vida para criar um skate voador, por exemplo.

É sempre curioso ver como um simples filme pode ter tanto impacto na vida de alguém.

Dois momentos me chamaram mais a atenção: Robert Zemeckis afirmando peremptoriamente que não irá fazer uma continuação e as sequências mostrando Eric Stoltz como McFly.

Eric Stoltz é um ator competente, mas ele estava com uma pegada bem diferente do que os produtores desejavam. Talvez se ele tivesse sido mantido no elenco, De Volta Para o Futuro não seria esse ícone cultural que é.

Mesmo passando longe de ser um documentário definitivo sobre a trilogia, Back in Time é uma experiência bem intencionada merecedora de elogios.

Nota: 7

Crítica | Vingadores: Guerra Infinita (2018)

Acredito que existam dois motivos principais para Vingadores: Guerra Infinita funcionar tão bem. O primeiro é a nossa familiaridade com a maioria dos heróis. Foram anos de diversos filmes solo que nos aproximaram de nomes como Tony Stark, Steve Rogers, Peter Parker e muitos outros. Sem todo o background que foi construído a experiência não seria tão eficiente.

E o outro motivo? É claro que é Thanos.

Thanos está naquele seleto grupo de vilões cujas motivações são claras. Ele tem uma história capaz de justificar suas ações e uma personalidade com nuances. E para completar, ele é extremamente perigoso. Thanos é realmente uma ameaça para os heróis e para o mundo inteiro, ainda mais se ele conseguir colocar suas mãos em todas as jóias do infinito.

Mesmo com cerca de 2 horas e meia, Vingadores: Guerra Infinita nunca é cansativo. As cenas de ação empolgam e são um pouco mais violentas do que o normal para a Marvel. O humor é inserido com sabedoria, geralmente com diálogos perspicazes nos momentos certos. São muitos personagens, mas não há confusão. A intensidade aumenta numa crescente até culminar em um desfecho que almeja ser épico.

Eu digo que almeja pois as corajosas decisões tomadas pelo roteiro podem ir por água abaixo no próximo filme. Nos resta torcer para que isso não aconteça.

Nota: 8

Resenha de Livro: O Mundo Conhecido

O Mundo Conhecido foi premiado com o Pulitzer de ficção em 2004. Este foi o segundo livro do autor americano Edward P. Jones. A história se passa no período próximo a deflagração da Guerra Civil Americana e foca em algumas gerações de escravos e donos de escravos. Um livro que consiga transmitir um pouco de como era sofrida e absurda a vida dos escravos deve ser valorizado. O Mundo Conhecido faz isso de maneira contundente e respeitosa. Confesso que demorei um pouco para me acostumar com as idas e vindas no tempo e quase me atrapalhei com o excesso de personagens, mas assim que consegui absorver a essência do material percebi a sua grandeza. Mesmo que você se considere um conhecedor da escravidão no continente americano, é bem possível que descubra aqui situações que nunca havia imaginado antes. Infelizmente, a maior parte delas passa longe de ser agradável.

Nota: 7

Crítica: Caro Diário (1993)

Dividido em três partes, Caro Diário é um filme autobiográfico de Nanni Moretti que colecionou alguns prêmios no começo dos anos 1990. A primeira parte mostra o diretor passeando por vários locais de Roma com sua vespa. Misturando humor, críticas e nostalgia, o autor não abandona a leveza ao comentar assuntos relevantes para ele. Aqui ele expõe sua admiração pelo filme Flashdance e também confessa não entender como alguém poderia elogiar Retrato de um Assassino. A trilha sonora inspirada e a fotografia belíssima quase são capazes de nos hipnotizar. A segunda parte se passa em algumas ilhas e faz o filme perder um pouco a força, apesar de possuir momentos engraçados. A terceira parte é sobre a epopeia de Moretti para finalmente receber o diagnóstico correto do prurido que teve por meses. Por mais séria que tenha sido a situação, o diretor nos conta sobre as inúmeras consultas e tratamentos inúteis com um humor peculiar. Caro Diário mostra que a jornada no mundo particular de um criador é sempre uma experiência fascinante.

Nota: 9

Crítica: Cargo (2009)

Inspirando-se em vários filmes do gênero, Cargo tenta ser uma ficção científica de qualidade e não consegue. Muito do que vemos aqui já vimos em trabalhos bem melhores do passado.

No ano de 2667 a Terra deixou de ser habitável. Quem tem condições financeiras segue para Rhea, um planeta semelhante a Terra. Laura faz parte dos tripulantes de uma nave que irá levar uma carga até uma estação próxima a Rhea. São quatro anos de viagem, mas a equipe irá dormir na maior parte do tempo.

Coisas misteriosas começam a acontecer durante a jornada e segredos são revelados. O duro é conseguir entender quem é quem e acreditar nas reviravoltas absurdas. Graças a um roteiro mal elaborado, vemos situações surgindo do nada. Para piorar, somos incapazes de criar qualquer vínculo com os personagens. Entender as motivações deles beira o impossível.

A artificialidade de Cargo é evidente. Talvez o pior exemplo disso seja no romance mais forçado que vi no cinema nos últimos tempos. O único ponto positivo está nos razoáveis efeitos especiais, principalmente se considerarmos o orçamento enxuto.

Arrastado, derivativo e sem inspiração, Cargo tem quase tudo o que eu não quero ver em um filme do gênero.

Nota: 4

Crítica: Fires Were Started (1943)

Filmado em um estilo quase documental, Fires Were Started nos mostra o árduo e heroico trabalho do corpo de bombeiros inglês durante a Segunda Guerra Mundial. Com apenas 62 minutos de duração não há uma trama propriamente dita. O que vemos é a chegada de um novato que irá conhecer a rotina dos bombeiros e depois o combate a um enorme incêndio resultado de um bombardeio alemão.

O ar propagandístico do filme é evidente, mas não dá para negar o valoroso trabalho dos bombeiros. As sequências do incêndio são filmadas com muita intensidade pelo diretor Humphrey Jennings. As chamas se alastram de maneira absurda. Sacrifícios serão exigidos para um resultado positivo.

O pouco de desenvolvimento que vemos é investido na camaradagem entre o grupo. Enquanto aguardam um chamado, eles se divertem de alguma forma e criam fortes laços. Infelizmente, é difícil criar uma intimidade com eles. De qualquer forma, podemos considerar Fires Were Started como um competente registro de um dos momentos mais sombrios da História.

Nota: 7