Dom Quixote

Autor: Miguel de Cervantes y Saavedra
Ano: 1610

Obviamente não tenho a pretensão de fazer uma crítica propriamente dita sobre essa obra, pois ela já foi tão debatida e é tão admirada que tudo o que eu falar é  irrelevante. Vou apenas fazer alguns comentários. Bom, eu geralmente leio rápido. Sou um leitor um tanto voraz. No máximo uma semana para ler a maioria dos livros. Dom Quixote precisou de 23 dias de leitura. E gostei de 90% dele. Demorei pois  não é um livro fácil, principalmente por ser antigo, com um estilo de escrita característico. Ele precisa de concentração. Não é um livro pra ser lido na areia da praia ou dentro de um ônibus.  Quando você se acostuma com o livro, você toma gosto pela leitura. O fato é que o Dom Quixote e o Sancho Pança são personagens extremamente cativantes e interessantes, mesmo sendo tão diferentes. Cervantes cria esses fantásticos personagens e os coloca em situações muito engraçadas, afinal é um livro que faz humor com os antigos cavaleiros andantes, que já estavam um tanto esquecidos na época. São várias as passagens marcantes, como a muito famosa luta entre Dom Quixote contra os moinhos de vento e outras, como o exército de cabras, a libertação dos presos, o afogamento, o duelo com um leão, o “voo” no cavalo, a cova de montesinos e a lista continua… É impossível não se admirar com tudo que envolve O Cavaleiro da Triste Figura. Ele era corajoso, queria ajudar os oprimidos, guardava um amor intenso e platônico por uma suposta Dulcineia, era justo, era inteligente e também completamente louco. Sancho Pança e sua metralhadora de provérbios também não é algo fácil de esquecer. Precisaria de MUITO tempo para escrever sobre os vários temas que o livro aborda, só digo que não você não precisa ter medo de encarar Dom Quixote.  O “esforço” vale a pena.

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Amor Sem Escalas

Título original: Up In The Air
Ano: 2009
Diretor: Jason Reitman

Ryan Bingham (George Clooney) tem um emprego complicado. Ele é contratado para fazer demissões. Quando um chefe não tem coragem suficiente para demitir seus próprios empregados ele recorre a pessoas como Ryan. Acompanhamos várias demissões realizadas por ele e percebemos que não é fácil. A reação dos demitidos varia, mas todas são passadas de uma maneira extremamente convincente, mesmo porque alguns não são atores de verdade, são pessoas comuns compartilhando um dos piores momentos da vida.  No mínimo, tocante. Ter esse emprego faz de Ryan um viajante. Ele é um colecionador de milhas aéreas e é muito interessante acompanhar a rotina dele nos aeroportos e nos hoteis. Isso tudo faz Ryan ser como é. Um cara que quase não para em casa e que não tem tempo para criar conexões fortes com alguém. Ele não tem mulher, não tem filhos e está feliz assim.

Sua rotina tão amada está prestes a virar passado, pois Natalie Keener – uma nova funcionária da empresa – tem uma ideia que vai aumentar os lucros: ao invés de viajar até uma cidade distante para demitir alguém, porque não fazer isso via internet, por uma video conferência? O Chefe gosta da ideia e está irredutível. Mas antes, ele pede para Ryan treinar a moça da maneira antiga, isto é, frente a frente com demitido.

Vamos lá. Primeiramente quero dizer que aproveitei cada minuto desse filme. Sabe quando nem vemos o tempo passar? Aconteceu comigo aqui. Ele é tão agradável, feito com tanta inteligência e habilidade que você tem que se render a ele. Muitas coisas são abordadas, desde ironias relacionadss a ambição sem limites que temos no trabalho, como situações que nos fazem pensar sobre a nossa própria vida. Será que fazemos o que gostamos? Estamos felizes? É importante ter alguém ao seu lado para compartilhar experiências? Ele consegue nos fazer rir e nos emocionar de uma maneira sincera.

George Clooney merece ser indicado ao Oscar, pois o que ele conseguiu em Amor Sem Escalas é algo espetacular. Um exemplo é a cena em que ele tem que incentivar o seu cunhado a casar, mesmo indo contra a sua filosofia de vida. Percebam as discretas reações do Clooney quando o cunhando fala do que o aguarda após um casamento. Excelente. As músicas ajudam a aumentar a qualidade das cenas, pois foram colocadas de maneira precisa, nos momentos certos.

É um feel good movie? Não exatamente, mas é difícil não sair com um sorriso da sessão.

Nota: 9

– Por B. Knott

Premonição 4

Título original: The Final Destination
Ano: 2009
Diretor: David R. Ellis

A expectativa para o filme era a menor possível, queria apenas me divertir com as mortes, torcer para que elas fossem suficientemente macabras, engraçadas e bem montadas. Será que tive o que queria? É basicamente uma repetição dos filmes anteriores, mas aqui o início se dá em um autódromo, em meio a uma corrida da stock car (acho eu). Um grupo de amigos está lá de bobeira, tomando um gim, comendo uma ruffles e assim por diante, até que um deles começa a ver coisas estranhas, alguns sinais de que algo de errado vai acontecer e ACONTECE. Um pequeno objeto provoca uma catástrofe e aí bum…. FOI UMA VISÃO, um aviso!

Repetitivo, eu sei. Exatamente como os outros, mas era o esperado. A Dona Morte fica brabinha por algum bobão ter enganando ela e aí os que escaparam vão morrer em breve. É questão de tempo.

Ok. O que a gente espera quando vai assistir a um filme desses? Mortes bem boladas e com um mínimo de qualidade nos efeitos especiais. Mas não é bem isso que temos aqui. Grande parte das mortes acabam não empolgando e se tornam um tanto previsíveis. No filme anterior tivemos momentos marcantes, que te deixavam arrepiado e que tinham uma certa dose de suspense, mas Premonição 4 parece brincadeira de criança. Achei estranho, pois o diretor David R. Ellis dirigiu o Premonição 2 e o divertido Serpentes a Bordo. Quanto a atuação, dessa vez os caras se superaram ao escolher os piores atores possíveis, do nível de malhação e fica complicado aguentar algumas cenas, pelo menos são apenas 82 minutos. A única exceção fica pelo ator Mykelti Williamson, que é competente e confere um pouco de dignidade nesse quesito.

No geral, vale pela Shantel VanSanten e o seu “pijama” e por uma cena envolvendo um cinema 3D e uma explosão. É uma amostra do 3D sem limites, é o momento mais divertido e inspirado do filme. Vale a grana para ver no cinema? Hmmm ai você decide. Mas te dou uma dica valiosa…

FUJA.

Nota: 4 (de 1 a 10)

– Por B. Knott

Michael C. Hall

Finalmente o trabalho desse genial ator foi reconhecido. Enfim, Michael C. Hall ganha o Globo de Ouro de melhor ator por um seriado. Foi a quarta indicação seguida dele, todas pelo seriado Dexter. Ele já merecia ter ganho antes, principalmente pelo o que fez na segunda temporada. Na verdade, uma indicação e um prêmio pela sua atuação na fantástica Six Feet Under também seriam justos.

Ele foi diagnosticado com Doença de Hodgkin e está em tratamento. Há quem possa dizer que ficaram com pena do cara e deram o prêmio. Errado. Como bem lembrou o colega Louis Vidovix o fato veio a público depois das votações já terem sido encerradas.

É bacana quando dão os prêmios para a pessoa certa.

Quero muito que ele se recupere, continue fazendo de Dexter uma das grandes séries de todos os tempos e que se arrisque mais no cinema.

O cara é foda!

*** Mudando de assunto, esse blog está assumindo um compromisso de fazer uma resenha de pelo menos uma estreia da semana. Para essa semana escolhemos Premonição 4 e Um Olhar do Paraíso, que teoricamente entram em cartaz dia 22/01.

– Por B. Knott

Meridiano de Sangue ou O rubor crepuscular no Oeste

Autor: Cormac McCarthy
Ano: 1985

Nah, isso não tem nada a ver com a saga Crepúsculo, apesar do nome. Este livro acaba de ser lançado no Brasil e é o Cormac em grande forma. Gostei muito de ler A Estrada e Onde os Velhos Não Tem Vez e com Meridiano de Sangue a experiência foi igualmente gratificante e singular. Confesso que demorei algumas páginas para entrar na história, mesmo já conhecendo o estilo peculiar do escritor. Não desista e será recompensado. Aos poucos me senti fazendo parte daquele Oeste sangrento, quente, mortal e fascinante. Em A Estrada, Cormac nos mostrou o fim do mundo e aqui ele nos apresenta a um país que ainda estava engatinhando. Qual o mais violento? Difícil dizer. Acompanhamos o Kid durante a maior parte das páginas e o que ele faz é escalpelar índios para ganhar uma grana. Sobra sangue. Cormac não tem medo de descrever assassinatos de crianças, bebes e até de cachorros. Ele quer nos mostrar que aquele ambiente é barra-pesada e para sobreviver você não pode hesitar nunca. Sobra espaço também para algumas reflexões e filosofias relacionadas à guerra e aos homens como um todo. É um livro difícil, pesado, mas que vai fazer você chegar na última página e dizer: PUTAQUEPARIU.


– por B. Knott

Os melhores vencedores do Globo de Ouro

Este post marca a estreia de um novo integrante no Cultura Intratecal. Felipe M, AB vai se juntar a mim nesse desafio que é criar e manter um blog sobre cinema, músicas, livros e seriados.

Como o Globo de Ouro ocorrerá nesse domingo, decidimos fazer uma brincadeira: ambos fizemos um Top 10 dos vencedores de melhor filme de drama no Globo de Ouro e juntamos as duas listas através de fórmulas matemáticas mirabolantes para chegar a um consenso do blog.

Esperamos que vocês comentem sobre ela de alguma forma. Vale concordar e vale dizer o que está faltando.

1. O Poderoso Chefão (1972, Francis Ford Coppola)

Uma visita ao mundo da máfia no ponto de vista da família Corleone. Sabe o filme perfeito? Está aqui. Atuações magníficas, direção soberba e uma trilha sonora marcante. Um dos grandes marcos do cinema. Obrigatório para qualquer amante da sétima arte.

2. Um Estranho no Ninho (1975, Milos Forman)

Ele ganhou os Oscars de melhor filme, diretor, ator, atriz e roteiro. Coisa para poucos. Jack Nicholson em mais um trabalho memorável.

3. Operação França (1971, William Friedkin)

Devemos amar Operação França! Gene Hackman e Roy Scheider são dois policiais que estão atrás de traficantes em New York. É um thriller de ação que tem uma das melhores cenas de perseguição de todos os tempos.

4. Desejo e Reparação (2007, Joe Wright)

Quando vemos que a historia não é contada de maneira usual percebemos que o filme tem um algo a mais. A meia hora inicial é exemplo de uma montagem original e intrigante. A trilha sonora parece fazer parte do filme, como quando as teclas do piano parecem imitar as ações de uma personagem. E o plano sequência de vários minutos? Um espetáculo.

5. Beleza Americana (1999, Sam Mendes)

É ouro. Funciona como uma crítica ao american way of life. Kevin Spacey, na sua melhor interpretação, dá vida a um cara que cansou de ser tão igual aos outros, cansou de respeitar os padrões. Existem outros temas que são abordados de maneira sincera e honesta. Repito, é ouro.

6. O Expresso da Meia-Noite (1978, Alan Parker)

O filme mostra que não é uma boa ser pego com uma alta quantidade de drogas na Turquia. Alan Parker te faz sentir na pele as dificuldades de ficar na cadeia numa terra estrangeira. Aos poucos toda essa situação vai consumindo o personagem principal, que é retratado de maneira visceral pelo finado ator Brad Davis.

7. Chinatown (1974, Roman Polanski)

O deserto que virou uma das cidades mais famosas do mundo (LA). Chinatown é um noir policial que tem um dos melhores roteiros da história, Roman Polanski em seu momento mais conturbado e o mestre Nicholson fazendo o que sabe: impressionar.

8. Lawrence da Arábia (1962, David Lean)

Omar Sharif disse: ‘Se você é um homem com dinheiro e alguém vem para você e diz que quer fazer um filme de 4h, sem estrelas, sem mulheres, sem história de amor, e nem muita ação e ele quer gastar MUITO dinheiro para ir filmar no deserto, o que você diria?’
E foi feito o “Épico dos épicos”.

9. Amadeus (1984, Milos Forman)

Milos Forman, com perfeição, nos coloca frente a frente com Mozart, o rock-star do século XVIII e Salieri, o crítico, cheio de inveja e admiração. Eles são criados, desenvolvidos e biografados exatamente como deveriam. Loucos, gênios, trágicos, admiráveis.

10. O Resgate do Soldado Ryan (1998, Steven Spielberg)

Ele não se resume aos 20 e poucos minutos iniciais.  Sim, a cena da invasão da Normandia é quase um milagre, mas o resto do filme é muito bom tambén. Temos vários atores em grande forma e Steven Spielberg revolucionando a maneira de se fazer um filme de guerra.

Esse post vai ter uma segunda parte, abordando os PERDEDORES de melhor Musical ou Comédia. Aguardem.

Vício Frenético

Título original: The Bad Lieutenant: Port of Call – New Orleans
Ano: 2009
Diretor: Werner Herzog

“Tour de Force”. Que bela expressão. Eu NADA entendo de francês, mas uma visita ao google me diz que ela significa uma ação difícil executada com grande habilidade, basicamente, uma proeza. Você deve estar me perguntando o que ela tem a ver com este novo filme do Werner Herzog, certo? Respondo em três palavras: Nicolas (fucking) Cage. Aqui ele interpreta o policial sem noção Terence McDonagh. Logo na primeira cena percebemos que o cara é completamente louco e é nele que reside o diferencial de Vício Frenético.

Cá entre nós, o plot não tem muita importância aqui. Tudo se passa em Nova Orleans pós Katrina.  Temos 5 homícidios envolvendo senegaleses e cabe ao tenente do mal – como diz o título original – Terence a investigar o caso. E o show começa. Há quem diga que a atuação do Cage está exagerada. Eu não concordo. O cara criou um personagem que é uma bomba relógio, totalmente sem escrúpulos, sem remorso de apontar uma magnum .44 pra cabeça de uma velinha e que não tá nem aí de roubar cocaína apreendida para uso próprio. Tudo isso sem ser caricato. Você acredita no personagem e na sua falta de sanidade mental. É uma atuação bem física também. Percebam como ele consegue demonstrar que tem os movimentos reduzidos no braço esquerdo sem soar falso.

Herzog não teve medo de realizar um filme politicamente incorreto, que é espetacular de se assistir. Ficamos esperando a próxima reação de Terrence e morbidamente torcemos para ser algo intenso. E vamos ser recompensados, pode apostar. Será que alguém consegue gostar ou compreender as motivações do personagem? Difícil. O único momento em que vemos um pingo de sentimento nele é quando Terence está com sua namorada, nada mais, nada menos, que uma prostituta de luxo.

Detalhe: Provavelmente sobrou uma carreirinha pro Herzog também, afinal, iguanas e almas que dançam não são coisas muito usuais num filme policial.

Recomendo pelo Nicolas Cage, pela direção do Herzog e também pela trilha sonora, que aumenta o impacto de quase todas as cenas.
Coisa boa aqui.

Nota: 4/5

Bad Lieutenant: Port of Call New Orleans

Zumbilândia

Título original: Zombieland
Ano: 2009
Diretor: Ruben Fleischer

Filmes de zumbis me agradam. Eu curto mesmo. Desde as criações de George A. Romero até Shaun of the Dead e Extermínio. Caramba, é algo extremamente interessante ver um bando de zumbi cambaleando, sedento por miolos, destruindo tudo e matando todo mundo. Melhor ainda quando existe uma história legal e envolvente junto. Adivinhem! Zumbilândia faz parte desse time.

Hoje o dia estava complicado na minha cidade. A chuva não deu trégua. A atmosfera estava mais cinza que o fog londrino, um clima bem depressivo. Eis que decido assistir a Zumbilândia e ao mesmo tempo parecia que o sol  tinha dado as caras… mas era noite. O sol apareceu em forma de filme e esse filme se chamava Z-U-M-B-I-L-Â-N-D-I-A!!! (dica dada pelo Robson Saldanha).

O filme é curto, pouco mais de uma hora e vinte minutos de duração, portanto, não há tempo a perder. Logo no começo uma narração em off faz um resumo de como está a situação no momento. Nada boa. Os EUA já eram, o que resta é uma terra dominada pelos ZOOOMBIEEESSSS…. Mas existe um sobrevivente, é Columbus, justamente quem está nos informando. Ele só conseguiu se manter vive por seguir algumas regras básicas, como:
– Ter preparo físico
– Atirar duas vezes
– Cuidado no banheiro

e outras.

Dá pra ver que esse filme tem um algo a mais, certo?

Os créditos iniciais não me deixam mentir. É uma sucessão de imagens extremamente BELAS e VIOLENTAS, que mostram assassinatos cometidos por zumbis de uma maneira empolgante.  Aos poucos vamos conhecendo melhor o Colombus e logo entra na história Tallahasse. O que os dois têm que fazer é tentar sobreviver a esse mundo entupido de zumbis e outras coisinhas mais.

Zumbilândia consegue explorar esse cenário de um mundo destruído por zumbis de uma maneira genial. Você vai aproveitar cada cena, cada diálogo. Tem até uma sequência nonsense envolvendo um ator famoso de Hollywood. É muito chá de cogumelo pra uma pessoa só.

Não há economia de sangue, mas também sobra espaço para momentos extremamentes divertidos, engraçados e até um tanto sentimentais, como uma regra que diz para se aproveitar as pequenas coisas. É díficil assistir e não gostar. Eu já quero ver denovo. Na verdade, não queria abandonar essa Terra de Zumbis.

Melhor que Shaun of the Dead? Jogo duro. O tempo vai dizer.

Nota: 4.5/5

Onde Vivem os Monstros

Título original: Where the Wild Things Are
Ano: 2009
Diretor: Spike Jonze

Onde Vivem os Monstros não é para crianças, por mais que dê essa impressão nos trailers. Provavelmente as crianças vão ficar com medo e até mesmo entediadas durante o filme, mesmo no cinema. Este é um filme para adultos. É uma oportunidade fantástica para nos lembrarmos de como era ser criança. De ter seus 9 anos e achar que tudo era possível. Ter essa idade e não precisar mais do que a imaginação para se divertir.

Não se trata de um filme de contos de fada ou algo do tipo. No fundo, é uma experiência um tanto sombria. Provavelmente por causa do personagem principal, o garoto Max. Ele é um garoto perturbado. Seus pais são divorciados, sua irmã não dá a atenção que ele esperava e ele aparentemente não têm muitos amigos. É um garoto solitário. Solitário e não muito são. Após um desentendimento com a mãe o garoto decide fugir e a partir dai a história realmente começa. Ele chega à uma ilha repleta de monstros e passa a ser o rei do local.

Ele está livre para fazer o que quiser. Me peguei me lembrando dos tempos de guri. Dos tempos que brincar de polícia e ladrão era algo extremamente divertido. Era legal, convenhamos. Apesar de não ter nenhuma referência ao natal no filme, me lembrei de como eu ficava ansioso nessa época do ano, esperando a chegada do velho barbudo. Enfim, Onde Vivem os Monstros resgata várias memórias daquele tempo onde tudo era mais fácil, mas nem sempre mais feliz.

Um dos grandes momentos do filme é quando o professor de Max fala que o Sol um dia irá apagar. Max, mesmo não demonstrando, sofre com essa informação, algo que podemos comprovar quando ele está na ilha dos monstros e comenta isso com o Carol, que também fica abalado.

Pode acontecer de você ficar um tanto entediado ou achar tudo extremamente WTF, mas os bons momentos e as memórias que o filme nos traz o fazem valer a pena.

Nota: 4/5

Um Sonho Possível

Título original: The Blind Side
Ano: 2009
Diretor: John Lee Hancock

Sou fã de futebol americano. Depois do nosso “soccer”, é o meu esporte preferido. Sempre acompanho a NFL e tenho uma grande simpatia pelo New York Jets. Já assisti a vários filmes sobre o esporte e eles sofrem de um problema crônico: excesso de clichês. É sempre aquela coisa chata de um time que está perdendo, um time sem futuro, que depois de algum discurso motivador começa a vencer os jogos e vai em busca do título! Claro, existem aqueles que não sofrem tanto desse mal e são ótimos: Invincible, Um Domingo Qualquer, Friday Night Lights (o filme e o seriado) e, é claro, O Lado Cego.

O que temos aqui é uma história real sobre o jogador Michael Oher, do baltimore ravens, que foi escolhido na primeira rodada do draft de 2009. Coisa pra poucos. O filme ficou a cargo do diretor John Lee Hancock, que até agora não tinha feito nada de destaque. Ele já havia trabalhado com esportes antes em O Desafio do Destino, que tem alguns aspectos interessantes, mas nada demais. Agora ele conseguiu chamar a atenção.

Muitas vezes filmes biográficos acabam se tornando arrastados e chatos, mas não foi o caso em O Lado Cego. Você vai aproveitar cada minuto, não sem motivos. A história de Michael Oher é barra-pesada, seu passado é repleto de desgraças. O film retrata a vida do cara quando ela começa a mudar para melhor. Leigh Anne (Sandra Bullock) é uma mulher rica, que viu o “Big Mike”, um cara gigante, negro, calado, andando no frio sem rumo e decidiu ajuda-lo. A partir daí a vida de ambos vai mudar. Big Mike tem problemas com os estudos e com relacionamentos, pois é um cara muito fechado. Algumas pessoas decidem ajuda-lo e logo ele entra para o time de futebol americano da escola. Mas não foi fácil!

O trabalho dos atores foi muito importante para o filme funcionar. Sandra Bullock tem uma performance acima da média. Ela faz de Leigh Anne uma mulher forte, que não leva desaforo para casa, mas que no fundo é extremamente sensível e quer ajudar as pessoas, mesmo sem saber o motivo. Quint Aaron dá vida a Michael Oher de uma maneira magistral. Ao meu ver ele era merecedor de indicação no globo de ouro, mas não aconteceu.

O filme parece um conto de fadas? Parece, mas é uma história real. Pelo menos boa parte dele.

Nota: 4,5/5

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Gomorra

Título original: Gomorra
Ano: 2008
Diretor: Matteo Garrone

Já vi Gomorrah tentar ser vendido como um Cidade de Deus italiano e lamento. Ambos os filmes retratam duas cidades que estão mergulhadas no crime, mas esta é a única semelhança. As abordagens são completamente diferentes, tanto em termos técnicos, como na maneira que as histórias são contadas. O filme é baseado no livro de Roberto Saviano, que foi corajoso (ou louco?) para escrever sobre a camorra, a máfia de Napoles, no sul da Itália.

Acompanhamos 5 histórias diferentes que se relacionam com o crime organizado de Nápoles das mais variadas formas. Há um menino, Totó, que pretende fazer parte do grupo. Temos dois jovens ingênuos e fãs de Scarface que querem dominar a região. Um alfaiate que decide ganhar uma grana por fora trabalhando para os chineses. Um cara que lucra com o enterro de lixo tóxico e um outro que trabalha levando e trazendo dinheiro.

O detalhe interessante é que não há nenhum chefão na história. Nenhum Don Corleone ou algo assim. O filme desenvolve um painel do crime organizado de uma forma bem palpável. O filme transcorre de uma maneira interessante, mais calma que o normal para filmes desse tipo, o que nos permite sentir o filme e nos importar com os personagens.

Gomorra tem algumas cenas violentas, mas, o mais perturbador é constatar que Nápoles é uma cidade completamente consumida pelo crime, assim como grande parte das importantes cidades do mundo.

Nota: 4/5