Crítica | Vingadores: Guerra Infinita (2018)

Acredito que existam dois motivos principais para Vingadores: Guerra Infinita funcionar tão bem. O primeiro é a nossa familiaridade com a maioria dos heróis. Foram anos de diversos filmes solo que nos aproximaram de nomes como Tony Stark, Steve Rogers, Peter Parker e muitos outros. Sem todo o background que foi construído a experiência não seria tão eficiente.

E o outro motivo? É claro que é Thanos.

Thanos está naquele seleto grupo de vilões cujas motivações são claras. Ele tem uma história capaz de justificar suas ações e uma personalidade com nuances. E para completar, ele é extremamente perigoso. Thanos é realmente uma ameaça para os heróis e para o mundo inteiro, ainda mais se ele conseguir colocar suas mãos em todas as jóias do infinito.

Mesmo com cerca de 2 horas e meia, Vingadores: Guerra Infinita nunca é cansativo. As cenas de ação empolgam e são um pouco mais violentas do que o normal para a Marvel. O humor é inserido com sabedoria, geralmente com diálogos perspicazes nos momentos certos. São muitos personagens, mas não há confusão. A intensidade aumenta numa crescente até culminar em um desfecho que almeja ser épico.

Eu digo que almeja pois as corajosas decisões tomadas pelo roteiro podem ir por água abaixo no próximo filme. Nos resta torcer para que isso não aconteça.

Nota: 8

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Resenha de Livro: O Mundo Conhecido

O Mundo Conhecido foi premiado com o Pulitzer de ficção em 2004. Este foi o segundo livro do autor americano Edward P. Jones. A história se passa no período próximo a deflagração da Guerra Civil Americana e foca em algumas gerações de escravos e donos de escravos. Um livro que consiga transmitir um pouco de como era sofrida e absurda a vida dos escravos deve ser valorizado. O Mundo Conhecido faz isso de maneira contundente e respeitosa. Confesso que demorei um pouco para me acostumar com as idas e vindas no tempo e quase me atrapalhei com o excesso de personagens, mas assim que consegui absorver a essência do material percebi a sua grandeza. Mesmo que você se considere um conhecedor da escravidão no continente americano, é bem possível que descubra aqui situações que nunca havia imaginado antes. Infelizmente, a maior parte delas passa longe de ser agradável.

Nota: 7

Crítica: Columbus (2017)

Columbus pode ser classificado como um pequeno grande filme. Discretamente pretensioso, sutil e trabalhando com temas do mundo real, é uma experiência que vai nos conquistando aos poucos. Casey e Jin estão passando por tipos diferentes de crise e acabam se conhecendo em meio a cidade de Columbus, Indiana. Eles tem em comum a arquitetura. Casey é uma entusiasta do assunto e Jin é filho de um renomado arquiteto. O pai de Jin estava na cidade para uma palestra, mas acaba ficando doente. Várias são as sequências que investem em diálogos cheios de significado entre os dois. São personagens que ganham vida e que passamos a nos importar. Ambos estão em meio a conflitos que podem definir seus futuros, mas nada é forçado. A naturalidade é um dos trunfos aqui. O diretor Kogonada consegue ainda explorar a beleza ímpar de alguns edifícios da cidade, fazendo de Columbus um filme extremamente bonito. Não pude deixar de me lembrar de Encontros e Desencontros e Paterson em alguns momentos. Se você gosta desses dois filmes as chances de gostar de Columbus são grandes.

Beasts of No Nation

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Em alguma nação africana cujo nome não nos é revelado, Agu é só mais uma criança que corre, brinca e apronta. Ele e sua família possuem dificuldades econômicas óbvias, mas o amor está presente e eles se viram da melhor forma possível.

Tudo muda quando irrompe uma Guerra Civil na região. Soldados armados ignoram qualquer resquício de decência e em um piscar de olhos o menino Agu tem sua infância roubada.

Agu foge pela floresta, mas logo é capturado por um grupo de soldados que tem como líder um homem mais velho chamado O Comandante. Se quiser sobreviver, Agu terá que ele mesmo se transformar em um soldado. Passado algum tempo, ele já não é mais o mesmo. Cigarro na boca, álcool no sangue, uma metralhadora na mão e um olhar que demonstra que inocência não faz mais parte dele.

Beasts of No Nation faz um bom trabalho ao adaptar para o cinema o material original. O diretor Cari Joji Fukunaga consegue criar cenas esteticamente belas, mas essencialmente brutais. Várias são as sequências em que sentimos necessidade de desviar o olhar. Isso acontece não por elas serem exageradamente gráficas ou viscerais, mas por vermos crianças e jovens cometendo as atrocidades.

Crianças? Não mais.

O meio fez com que as crianças se transformassem em assassinos. Beasts of No Nation, além de funcionar como obra cinematográfica, é um importante lembrete de uma situação tão triste como essa.

Não bastasse a violência dos conflitos e o vício em drogas, elas ainda acabam sendo vítimas de abuso sexual.

Como vocês podem ver, este é um filme difícil. Mas apesar de tudo, existe sempre um pouco de esperança e conforto em sinceros laços de amizade.

Como a história é contada pelo ponto de vista do garoto Agu, ficamos ainda mais investidos neste personagem. A atuação de Abraham Atta é memorável. Felizmente, ele foi lembrado em importantes premiações como o Film Independent Spirit Awards.

Além disso, o público está aí para enaltecer esse jovem ator e esse filme pesado, mas extremamente relevante.
IMDb

Resenha de Filme: Os Gritos do Silêncio (1984)

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Vários aspectos de Os Gritos do Silêncio colaboram para fazer dele um filme de guerra perturbador e comovente. Temos aqui uma história baseada em dolorosos fatos reais. Acompanhamos a Guerra Civil do Camboja na perspectiva de um correspondente estrangeiro do New York Times e de um jornalista local. Sydney Schanberg e Dith Pran, mais do que colegas de trabalho, são amigos verdadeiros. Quando o comunista Khmer Vermelho assume o poder e propaga atrocidades por todo o território, os estrangeiros são obrigados a deixar o país. Infelizmente, Dith Pran não consegue sair e vai viver o martírio nas mãos dos seus captores, assim como outros milhões de cambojianos que não se adequavam a ideologia do Khmer.

O filme é dividido em duas partes, sendo que a parte final, totalmente dedicada a Dith Pran, é o grande destaque. Sofremos ao ver Pran enfrentando as agruras da escravidão e torcemos para que ele finalmente consiga escapar. As tentativas de fuga são momentos de verdadeiro suspense e agonia. Tudo isso torna-se ainda mais chocante quando sabemos que o ator Haing S. Ngor teve essas mesmas experiências. Piores, até. Este foi o primeiro trabalho dele no cinema. Não era um ator profissional (era um médico refugiado), mas transmitiu o desespero da situação como poucos conseguiriam.

O diretor Roland Joffé mostra toda essa história de uma maneira bem realista e focando nos personagens. As cenas de conflitos são poucas, mas bem dirigidas. Filme essencial.

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Resenha de Filme: Moscou Contra 007 (1963)

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Já assisti a um bom número de filmes de James Bond, mas pouquíssimos deles chegaram a realmente me empolgar. De cabeça, menciono três: Skyfall, Casino Royale (2007) e Moscou Contra 007, nessa ordem de preferência. Dono de um ritmo dinâmico empregado pelo diretor Terence Young, diálogos cheios de presença de espírito e uma atuação inesquecível de Sean Connery, Moscou Contra 007 fez muito sucesso com o público e ganhou o coração dos fãs do agente secreto britânico. Este é o segundo da série e foi o momento em que aspectos característicos da franquia surgiram. Temos aparatos inovadores e perigosos, bond girls e competentes cenas de ação. A perseguição de Bond por um helicóptero talvez seja o ponto alto. Aliás, não tem como ver essa cena e não lembrar de Intriga Internacional de Hitchcock. Mesmo estando longe de ser o meu tipo de filme preferido, não posso deixar de reconhecer suas qualidades, sendo a principal delas a capacidade de nos divertir.

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Crítica: Memórias do Subdesenvolvimento (1968)

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Com um ínfimo conhecimento sobre o cinema cubano fui assistir a Memórias do Subdesenvolvimento, um dos filmes mais elogiados já produzidos naquele país.

A primeira coisa que me chamou a atenção foi o estilo bem peculiar que o diretor Tomás Gutiérrez Alea utilizou para contar essa história, misturando ficção e realidade. Tudo se passa na Havana do começo da década de 1960, logo após a revolução socialista e o embargo americano a Cuba. O personagem principal é Sergio, um intelectual alienado por opção. Os familiares dele abandonam o país para tentar uma vida melhor nos Estados Unidos, já Sergio decide ficar e encarar as mudanças sociais da maneira que lhe compete: tecendo críticas a falta de bons produtos nas lojas, observando que o povo está cada vez mais ignorante e buscando diversão no álcool e nas mulheres.

Como podemos ver, Sergio quer viver a vida sem se preocupar.

Memórias do Subdesenvolvimento tem um estética ao mesmo tempo caótica e fascinante. Trata-se de um trabalho um tanto experimental. A opção por mostrar depoimentos de personagens históricos, recortes de jornais e gravações de rádio colabora para que o público consiga imaginar como era viver naquele momento. Demorei um tempinho para me adaptar ao filme, mas quando isso aconteceu passei a aproveitar cada vez mais. Ousado e provocativo, merece ser visto por quem gosta de História e de cinema

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Review: Game of Thrones 5×08 – Hardhome

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A quinta temporada de Game of Thrones estava bem fraquinha, até que as coisas começaram a melhorar no episódio da semana passada. Agora, após esse ótimo ‘Hardhome’, dá para dizer que o seriado finalmente voltou a empolgar.

Este oitavo episódio nos ofereceu aquela ótima mistura de intriga, tensão e ação que sempre esperamos.

Primeiro devo falar sobre a parte que menos me interessou: Arya se passando por uma vendedora de ostras, mexilhões e berbigões (o que seria isso?). Será que ela está pronta? Para o Deus de Muitas Faces isso não importa e confesso que para mim também não. Acredito que esse arco narrativo de Arya vai render bons momentos no futuro, mas o caminho está sendo árduo e entediante.

Cersei está pagando pelos os seus pecados. Acusada de fornicação, traição, incesto e pelo assassinato de Robert, ela é ‘aconselhada’ a confessar os crimes que cometeu. Vejam a sinistra mudança na vida de Cersei. Antes uma das pessoas mais poderosas e temíveis de Westeros, agora escorraçada, tomando bordoadas de uma desconhecida e tendo que lamber o chão para ingerir um mínimo de água. Tudo o que ela pode fazer é torcer para que Jaime volte o mais rápido possível, já que o rei Tommen e nada é mesma coisa.

O momento emotivo se deu no encontro entre Sansa e Theon. A garota Stark descobre que seus dois irmãos estão vivos! Acredito que Theon ainda poderá experimentar algum tipo de redenção. Veremos.

Vamos para as melhores sequências?

Como foi bacana presenciar o encontro de dois dos personagens mais queridos? Tyrion e Daenerys tiveram uma conversa das mais reveladoras. A Mãe dos Dragões não é burra! Ela percebeu que ainda lhe falta experiência para comandar um reino e viu que ter Tyrion ao seu lado pode lhe render ótimos frutos. Os dois se entenderam rapidamente e criaram uma admiração mútua. E ela ainda deixou uma ameaça no ar: eu não vou parar a roda, vou quebra-la. Ela está dizendo que pretende dizimar todas as famílias importantes de Westeros? Veremos.

E agora chegamos na espetacular parte final. Jon Snow e Tormund foram em busca de selvagens dispostos a se unirem a eles no embate contra os caminhantes brancos. O ódio que o povo do lado de lá muralha nutre pelos do Sul é impressionante. Alguns resolvem deixar o rancor de lado e formalizar a união. O problema é que justamente neste momento os caminhantes brancos resolvem atacar e temos uma verdadeira carnificina, com direito a cenas de ação frenéticas e empolgantes, parecidas com aquelas que vimos no episódio 9 da temporada passada. Ficou evidente o poder dos Caminhantes Brancos.

Como já havia sido dito anteriormente, a verdadeira guerra é essa. Quando vemos a capacidade de destruição dos caminhantes pensamos que todos os outros deveriam se unir para impedir o brutal avanço deles. Dá para dizer que o inverno chegou, não acham?

Eis aqui um episódio que passou voando, que oferece boas doses de ação, desenvolvimento da trama e personagens e um breve momento de sentimentalismo. Como a atmosfera está cada vez mais carregada e série não houve muitas oportunidades para o humor, mas devo dizer que ri da reação de Tormund frente ao tal Senhor dos Ossos.

Agora que venha o sempre muito esperado nono episódio!

5

Review: Game of Thrones 5×07 – The Gift

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Mesmo o mais fervoroso fã de Game of Thrones deve admitir que essa quinta temporada é a mais fraca até o momento. Eu estava um tanto temeroso quanto ao futuro do seriado, mas finalmente tivemos um bom episódio, que funcionou muito bem por si só e também para preparar as coisas para o restante da temporada.

Algumas sequências soaram um tanto forçadas e pouco inspiradas, como Bronn na prisão e até mesmo Sam e Gilly, mas de resto deu para notar que a trama ganhou muita força, prometendo momentos de impactado em breve.

A construção da cena de Cersei, Margaery e o alto septão foi incrível. Cersei parecia no total controle da situação, inclusive fazendo comentários irônicos para Margaery, até que as coisas mudam completamente e ela acaba presa. O septão parece não perdoar ninguém.

É inegável que o ponto alto do episódio foi o encontro entre Tyrion, Jorah e Daenerys. Muita coisa pode resultar dessa união. Será que a rainha dos dragões vai acolher o anão e perdoar Jorah? Ela realmente precisa de alguém como Tyrion para lhe indicar o caminho certo, já que ela parece um tanto perdida no governo de Meereen.

Agora sim. Estamos diante de intrigas que se forem bem trabalhadas podem gerar sequências grandiosas. Finalmente, o seriado voltou a empolgar!

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Review: Demolidor 1×02 – Cut Man

daredevil-cut-man-1x02-E o segundo episódio de Demolidor conseguiu ser ainda melhor do que o piloto. ‘Cut Man’ tem início com Matt Murdock ensanguentado em uma lixeira. Ele é ajudado por Claire, uma enfermeira que, apesar de desconfiada da situação, não vai deixar ninguém morrer em suas mãos.

Aos poucos vamos entendendo o que aconteceu. Murdock foi atrás daquele garoto sequestrado no episódio anterior, mas isso era uma cilada. Ele apanhou bastante. Algumas costelas quebradas, cortes profundos, muito sangue perdido e até um pneumotórax. Por sorte, Claire tem habilidades de um clínico experiente.

O roteiro opta por não nos mostrar essa sequência, fica na imaginação. Particularmente, acredito que tenha sido uma atitude correta. Sobra um tempo para investir no passado de Matt e sua relação com o pai.

Os flashbacks mostram Matt se adaptando à cegueira da melhor maneira possível e também ao fato de ter os outros sentidos mais potentes do que o normal.

O pai de Matt recebe uma proposta de cair no quinto round em uma luta, mas o orgulho e o desejo de não decepcionar o filho fazem com que ele vença. Isso trará consequências óbvias. E tristes.

Sempre que o Matt adulto se encontra em dificuldades ele se lembra do pai e da capacidade dele em aguentar muita porrada e se levantar.

A cena final mostrando o resgate do garoto é algo de belo. Belo e violento. Sentimos o cansaço e a dor de Matt, mas o fato é que ele não pode desistir. É uma sequência sem cortes, esteticamente brilhante. Inclusive, me fez lembrar do filme Oldboy, o que é ótimo.

O lado leve de ‘Cut Man’ fica para a madrugada etílica de Foggy e Karen. Boas risadas e bebidas de alto teor alcoólico e qualidade duvidosa.

Agora conhecemos um pouco mais de Matt Murdock e sabemos que Demolidor é um seriado muito bem produzido, sombrio, com personagens interessantes e uma história que tem bastante potencial. Vamos para o próximo episódio?
[9]

Review: Demolidor 1×01 – Into the Ring

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Eu estava aguardando a estreia de Daredevil com um certo grau de ansiedade e posso dizer que este primeiro episódio correspondeu às minhas expectativas.

Como todo inicio de um seriado de heróis, somos apresentados ao personagem principal e a alguns acontecimentos chaves em sua vida. Aqui as coisas foram feitas de maneira rápida e com pouca exposição, permitindo que mais revelações sejam feitas ao longo da temporada.

Na primeira cena já ficamos sabendo como Matt Murdock perdeu a visão quando criança. A importância do pai na vida dele também é ressaltada, durante uma confissão.

Logo temos uma amostra de suas habilidades atléticas e sua capacidade aguçada de audição. Em uma cena de luta muito bem coreografada e intensa, percebemos que estamos diante de um herói confiante, mas vulnerável.

À noite, ele se utiliza de um uniforme de super-herói para combater o crime e durante o dia exerce a profissão de advogado. Matt e Foggy acabam de abrir um ‘escritório’ de advocacia e o primeiro caso já mostra que essa vida também não é fácil.

Eles ficam responsáveis por defender a garota Karen Page, que foi encontrada na frente de um cadáver e com arma do crime na mão. Tal ‘homicídio’ tem enormes ramificações, envolvendo uma construtora, contratos com o governo e muita corrupção.

O criminoso por trás disso está envolto em mistério. Neste episódio, apenas ouvimos sua voz. Mas quem conhece um pouco do mundo da Marvel sabe que trata-se de Kingpin.

Crime organizado, atmosfera sombria, uma certa dose de realismo, sequências de ação com requinte estético e um herói dos mais interessantes. Demolidor começou com o pé direito! A nossa sorte é que podemos assistir ao resto da temporada quando quisermos. Valeu, NetFlix!
[8]

Crítica: Interestelar (2014)

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Apesar de não me considerar exatamente um fã de Christopher Nolan, reconheço que este é um diretor de imensa qualidade. Desde o magistral The Dark Knight acompanho com grande entusiasmo seus próximos lançamentos e devo dizer que Interestelar correspondeu a quase todas as minhas expectativas e tem grandes chances de estar na minha lista de melhores do ano.

Não estamos diante de uma obra perfeita, mas os acertos são tão contundentes que os erros ficam muito longe de atrapalhar a experiência como um todo. Para os amantes da ficção científica temos um prato cheio e saboroso. A ambição de Christopher Nolan parece não ter limites e quem aproveita somos nós. Recomendo fortemente que seja visto no cinema e na maior tela possível. As imagens são belas demais para serem admiradas de outra forma.

Então vamos a história.

O ano representado aqui não é informado de maneira precisa, porém fica claro que trata-se de um futuro não muito distante. Os problemas enfrentados pela espécie humana não são poucos. É uma sociedade que sofre pela superpopulação, pela escassez de alimentos, pelo aumento do nitrogênio, pela poeira que toma conta da atmosfera – às vezes com violentas tempestades de areia – , e por um sentimento de que o fim está cada vez mais próximo.

Alguns profissionais não são mais valorizados, como os engenheiros. Há até quem duvide que o homem alguma vez foi à lua. Já fazendeiros e agricultores são extremamente necessários, mas mesmo eles não conseguem encontrar uma saída para as pragas que tomam conta das plantações.

É nesse cenário caótico que conhecemos Cooper e sua família. Ele era um engenheiro e foi piloto de testes na NASA e agora é mais um fazendeiro que tenta ajudar da melhor maneira possível.

Graças a uma mensagem de origem desconhecida e interpretada por sua filha Murph, Cooper se dirige a uma instalação da NASA. Lá ele toma conhecimento de alguns planos para tentar salvar a vida na Terra e ele é convocado para a missão de encontrar um planeta habitável em outra galáxia.

O primeiro ato estabelece esse cenário preocupante com muita eficiência, além de servir para mostrar o quão forte é o laço sentimental entre Cooper e seus filhos, principalmente Murph. É claro que muito se deve a ótima atuação de McConaughey, que é um dos elementos essenciais para o sucesso do filme.

Após a missão ter início as coisas ficam ainda mais sérias e aí acompanhamos diversos conceitos científicos sendo abordados. Confesso que em alguns momentos me perdi no meio de tantas teorias envolvendo relatividade, física quântica e afins, mas a minha empolgação jamais diminuiu. A história exige nossa máxima atenção e somos recompensados por isso.

Christopher Nolan acerta em cheio nas cenas de ação, nas belas sequências que apenas mostram a nave vagando pelo espaço e também nos momentos mais intimistas. Quem considera Nolan um diretor frio vai ter que rever seus conceitos a partir de agora.

Consigo enxergar a influência de vários diretores aqui e cito os quatro mais evidentes: Mallick, Kubrick, Tarkovsky e Spielberg. Pode ser que Nolan não alcance a excelência de nenhum deles, mas o fato é que ele merece aplausos por conseguir misturar elementos destes quatro monstros do cinema de maneira coesa e impactante.

Há quem reclame do final, considerando até que estamos diante de um deus ex-machina (final improvável e artificial), algo de que discordo. As pistas estão lá na nossa cara e temos que entender que quando um enredo trabalha com viagem no tempo os paradoxos são quase inevitáveis. Além disso, o físico Kip Thorne trabalhou como consultor e aprovou o resultado final.

Tenho a impressão que Interestelar vai ser cada vez mais admirado ao longo dos anos. Eu mesmo já gosto mais dele hoje do que ontem, com direito a um acréscimo na nota.
9/10