Game of Thrones: “Winter is Coming” Crítica

Game of Thrones | 1×01 – Winter is Coming

Com a aproximação da oitava e última temporada de Game of Thrones, achei interessante rever e comentar todos os episódios desta longa jornada. É claro que os textos possuirão uma boa dose de spoilers, afinal pretendo chamar a atenção para detalhes que provavelmente deixamos passar na primeira vez que embarcamos no perigoso e fascinante mundo criado por George R. R. Martin.

Logo na primeira sequência de Winter is Coming, temos uma amostra do rico universo do seriado. A presença de um Caminhante Branco logo de cara é um sinal de que elementos de fantasia farão parte da história. Só que se trata de fantasia para adultos. Tudo vai ser trabalhado com calma e dentro de uma lógica interna difícil de se questionar.

O único sobrevivente do encontro inicial com o Caminhante Branco é julgado por deserção e caberá a Ned Stark executar a sentença. Ned é o lorde de Winterfell e o patriarca da família Stark. É fácil perceber que se trata de um homem honesto, preocupado com a esposa e os filhos e mais preocupado ainda em seguir um código de conduta. Ao contrário da maioria dos nobres, o poder não sobe à cabeça de Ned.

Ned estava vivendo sua vida tranquila no norte, até receber a comitiva de Robert Baratheon, o rei dos sete reinos e um amigo de longa data. Robert chega com um convite difícil de se recusar dadas as circunstâncias. Ele precisa de um novo “Mão” e não tem dúvidas que Ned é o homem certo.

Robert é um rei bonachão, amante do álcool e das mulheres e por tudo isso, não muito difícil de ser manipulado. Mal sabe ele que o perigo está mais perto do que imagina. A rainha Cersei juntamente com o seu irmão/amante Jaime começa a botar as mangas de fora para conquistar algo que sempre quis.

Do outro lado do mar estreito fica Pentos. É lá que se encontram Viserys e Daenerys Targaryen, filhos de Aerys Targaryen, o rei louco. Viserys não está nem aí em usar a irmã para tentar chegar ao poder que considera seu por direito. Ele bota todas as fichas no casamento arranjado da irmã com Khal Drogo, o imprevisível líder dos guerreiros dothraki.

Winter is Coming é uma introdução que cumpre o seu papel com maestria. Apesar da grande quantidade de lugares, famílias e personagens, a trama se desenrola sem pressa, nos permitindo entender quem é quem aos poucos. Não há quase nada de ação aqui, o que é mais um indício de que o seriado se preocupa primeiramente em desenvolver o enredo e os personagens. E claro, há uma cena final impactante que revela o quão maldosos as peças do jogo dos tronos podem ser.

Se você está revendo o episódio provavelmente irá notar algumas antecipações intrigantes, como os ovos de dragão, o fato de Daenerys não sentir o calor da água e os diálogos em que um membro da patrulha da noite diz que a muralha não vai a lugar nenhum e aquele em que Illyrio diz para Viserys que em breve Drogo irá lhe dar uma coroa. Ah. E é aqui que as crianças Stark adotam os lobos que vão se tornar importantes no futuro.

Nota: 8.8

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Crítica | The Post – A Guerra Secreta

Ninguém em sã consciência pode duvidar da capacidade de Steven Spielberg de contar boas histórias. The Post é mais um exemplo recente de que o diretor ainda tem lenha para queimar. Apesar da trama se passar nos anos 1970, sua essência é algo que jamais deixará de ser relevante.

Baseado em acontecimentos reais, o filme retrata o emblemático caso dos “papeis do pentágono”, um documento que comprovava que os Estados Unidos não tinham a menor chance de vencerem a Guerra do Vietnã. Esse documento caiu nas mãos do The Washington Post, que enfrentou um verdadeiro dilema antes de publicá-lo. A pressão vinda da Casa Branca era muito forte, inclusive com promessas de um processo judicial que poderia levar os responsáveis pela publicação para a cadeia. É claro que a imprensa muitas vezes é responsável por um desserviço à sociedade ao impulsionar noticias falsas – principalmente nos tempos atuais -, mas aquele caso mostrou como uma matéria certa no momento certo pode colaborar para trazer a verdade a tona.

The Post é um tanto arrastado no seu primeiro ato, mas a medida que as coisas avançam a tensão aumenta. Mesmo sabendo os rumos do roteiro, não há como não se envolver com uma situação tão relevante, ainda mais com um Spielberg inspirado. Meryl Streep e Tom Hanks oferecem boas atuações e o resto do elenco é extremamente sólido, inclusive com atores que se destacaram em seriados recentemente.

Além da questão dos “papeis do pentágono” o outro tema de destaque é a quebra de barreiras por parte de Kay Graham, a primeira mulher a comandar uma empresa que ficou na lista das 500 mais importantes da revista Fortune. Ela possui o único arco do filme, já que aos poucos vai ganhando a confiança necessária para fazer o que acha certo. É justamente em alguns momentos com Kay que Spielberg dá uma exagerada na pieguice, mas o que importa é que ele conseguiu eternizar essa editora americana que foi essencial para a imprensa como um todo.

Junto com Ponte de Espiões, The Post é uma prova de que Steven Spielberg não perdeu a mão. Temos que aceitar o fato de que deslizes como Jogador Número 1 podem acontecer.

Nota: 7

Crítica: “Trench”, Twenty One Pilots

1. Jumpsuit
2. Levitate
3. Morph
4. My Blood
5. Chlorine
6. Smithereens
7. Neon Gravestones
8. The Hype
9. Nico and the Niners
10. Cut My Lip
11. Bandito
12. Pet Cheetah
13. Legend
14. Leave the City

Apesar do estrondoso sucesso de músicas como Stressed Out e Heathens eu nunca havia me interessado muito pelo duo americano Twenty One Pilots. As coisas mudaram após o ambicioso Trench. Com uma produção brilhantemente elaborada e uma primeira parte quase perfeita, o mais recente álbum de Tyler Jospeh e Josh Dun é uma experiência revigorante. O amadurecimento da dupla salta aos olhos. As letras investem na narrativa do mundo fictício de Dema e aí somos brindados com uma história que estimula a discussão de temas relevantes. Há um lado pessoal bastante evidente em boa parte das letras, o que deixa tudo mais rico. Músicas como Morph, My Blood e Chlorine possuem estruturas inspiradas que facilmente nos viciam. A mistura de gêneros que o duo gosta de trabalhar deu muito certo aqui. Elementos do rock, R&B, rap, indie eletrônico e até reggae se unem de maneira coesa, sem exageros. Não sei se todos concordam, mas notei similaridades com bandas como MGMT e Linkin Park. O que sei é que Trench irá fazer parte da lista de melhores do ano de muita gente. Merecidamente.

Nota: 8

 

Resenha de Livro: Ensaio Sobre a Cegueira

José Saramago é reconhecido como um dos maiores escritores da língua portuguesa e o livro Ensaio Sobre a Cegueira foi crucial para ele alcançar esse posto.

Em uma cidade grande qualquer as pessoas começam a ficar cegas. Não há uma explicação científica, mas o fato é que aos poucos a cegueira vai se espalhando como uma doença contagiosa. Inicialmente, os cegos ficam confinados em um manicômio, basicamente deixados à própria sorte. A única exceção é a mulher do médico. Não se sabe os motivos, mas ela mantém a capacidade de enxergar e vai servir como uma guia para os outros.

Nenhum personagem em Ensaio Sobre a Cegueira tem nome. Eles são chamados por características que os representam, como o médico, a mulher do médico, a rapariga dos óculos escuros, o garoto estrábico e assim por diante.

José Saramago tem um estilo muito peculiar, algo que pode assustar inicialmente. Não há travessões. O discurso direto e indireto se misturam. Frases longas são esculpidas com verve poética. Há ironia e humor negro. E assim que nos acostumamos com o jeito de Saramago escrever não queremos largar o livro, apesar dos horrores que nos aguardam.

A perda da visão em Ensaio Sobre a Cegueira mostra o que os seres humanos são capazes de fazer. Para o bem e para o mal. Em um momento presenciamos uma horrível extorsão e em outro vemos pessoas se sacrificando em prol do próximo.

Com a progressão da cegueira, o mundo entra em colapso. Saramago detalha a situação caótica que toma conta da cidade. A comida torna-se escassa, a água está desaparecendo, tomar banho é um luxo, a sujeira transborda em diversos lugares. Não há muitas esperanças e sobram questionamentos.

Ensaio Sobre a Cegueira não é apenas uma história criativa repleta de momentos memoráveis. É também uma alegoria brilhantemente escrita por um gênio da literatura.

Não é à toa que na epígrafe está escrito: “Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara”.

O Caçador de Pipas

Narrado em primeira pessoa por Amir, O Caçador de Pipas nos apresenta a um homem com a consciência pesada devido a erros cometidos no passado. Agora ele vive nos Estados Unidos e irá nos contar sobre os eventos ocorridos no Afeganistão dos anos 1970. Lá ele tinha um amigo e também serviçal chamado Hassan. Hassan era de um povo considerado inferior naquele região, os hazara. Eles jogavam baralho, empinavam pipa, assistiam filmes, comiam romã direto da árvore e muito mais. O laço de amizade era fortíssimo, mas um dia Amir covardemente não impede que algo de muito ruim aconteça com Hassan. Um tempo depois, Amir tem mais uma atitude totalmente condenável que faz com que Hassan tenha que se mudar.

Tudo isso acontece em meio a invasão russa do Afeganistão, algo que irá mudar completamente esse país.

O autor Khaled Hosseini é hábil ao descrever detalhes do cotidiano afegão, nos permitindo entender como as coisas funcionavam por lá. Ele merece ainda mais elogios pelo desenvolvimento dos relacionamentos entre Amir e Hassan e também de Amir e o seu pai, o baba.

Tudo o que Amir queria era que o seu baba se orgulhasse dele, o que era difícil, pois Amir era um garoto ‘diferente’. Ele preferia ficar lendo livros e escrevendo do que jogando futebol. Para baba, faltava algo a Amir.

Anos depois surge uma oportunidade para Amir tentar se redimir. Será que agora ele terá coragem para fazer o que é certo?

O Caçador de Pipas é um livro muito fácil de ler. Khaled Hosseini tem uma escrita acessível e dinâmica, mas não apressada. Em momentos derradeiros ele cria bastante expectativa. O forte são os relacionamentos entre os personagens principais, com direito a diálogos marcantes. Há um certo exagero nos acontecimentos do ato final, que soam quase que implausíveis, mas estamos tão conectados com a história que relevamos.

Podemos julgar Amir como alguém que não deu valor ao seu melhor amigo e o prejudicou. Mas o fato é que as pessoas cometem erros ao longo da vida, ainda mais em uma idade em que a maturidade ainda está longe de chegar. Todos tem direito a uma segunda chance. Como diz Rahim Kham: Há um jeito para ser bom de novo.

Extinção (Extinction, 2018)

Extinção é mais uma bomba produzida pela Netflix, que precisa urgentemente melhorar a qualidade de seus filmes. Somos apresentados aqui a um homem que está sofrendo com pesadelos. Ou será que são visões? Ele vê uma invasão, o mundo destruído e sua família sofrendo. As sequências alternando entre essas visões e o presente fazem o ritmo de Extinção algo errático. Quando menos percebemos as coisas começam a acontecer rápido demais. Não existe tempo para criar um mínimo de empatia por Peter e sua família. Aberrações em forma de clichês se fazem presentes, principalmente nas atitudes das filhas de Peter, que obviamente servem apenas para deixar todos em risco. Por um dado momento, achei que estava diante de um fraquíssimo spin-off Colony. Com efeitos especiais irregulares, atuações no piloto automático e uma reviravolta pouco inspirada, Extinção é uma experiência sofrível.
IMDb

Bom Comportamento

Bom Comportamento é um coquetel explosivo do que o cinema do gênero pode oferecer. Com atuação compenetrada de Robert Pattison, uma trilha sonora enérgica e uma câmera sempre atenta dos irmãos Safdie, o filme se revela uma experiência intensa e surpreendente. A premissa não é exatamente original, mas a a abordagem foge do lugar comum. As escolhas do roteiro e dos diretores podem soar estranhas em um primeiro momento, porém elas fazem sentido neste redemoinho caótico de prazer cinéfilo. Basicamente, acompanhamos Connie Nikas tentando arranjar 10 mil dólares para soltar o irmão que foi preso em uma tentativa fracassada de roubo a banco. Apesar de possuir presença de espírito, Connie não é um gênio do crime. Testemunhar seus acertos e erros em uma madrugada insana é de tirar fôlego. Há ainda espaço para uma rápida crítica social aqui. Nem precisava. Bom Comportamento é daqueles filmes diferentes que precisam de um tempo para entrarmos no ritmo. E quando isso acontece, nossa imersão é total.

Nota: 8.5

Crítica: Interestelar (2014)

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Apesar de não me considerar exatamente um fã de Christopher Nolan, reconheço que este é um diretor de imensa qualidade. Desde o magistral The Dark Knight acompanho com grande entusiasmo seus próximos lançamentos e devo dizer que Interestelar correspondeu a quase todas as minhas expectativas e tem grandes chances de estar na minha lista de melhores do ano.

Não estamos diante de uma obra perfeita, mas os acertos são tão contundentes que os erros ficam muito longe de atrapalhar a experiência como um todo. Para os amantes da ficção científica temos um prato cheio e saboroso. A ambição de Christopher Nolan parece não ter limites e quem aproveita somos nós. Recomendo fortemente que seja visto no cinema e na maior tela possível. As imagens são belas demais para serem admiradas de outra forma.

Então vamos a história.

O ano representado aqui não é informado de maneira precisa, porém fica claro que trata-se de um futuro não muito distante. Os problemas enfrentados pela espécie humana não são poucos. É uma sociedade que sofre pela superpopulação, pela escassez de alimentos, pelo aumento do nitrogênio, pela poeira que toma conta da atmosfera – às vezes com violentas tempestades de areia – , e por um sentimento de que o fim está cada vez mais próximo.

Alguns profissionais não são mais valorizados, como os engenheiros. Há até quem duvide que o homem alguma vez foi à lua. Já fazendeiros e agricultores são extremamente necessários, mas mesmo eles não conseguem encontrar uma saída para as pragas que tomam conta das plantações.

É nesse cenário caótico que conhecemos Cooper e sua família. Ele era um engenheiro e foi piloto de testes na NASA e agora é mais um fazendeiro que tenta ajudar da melhor maneira possível.

Graças a uma mensagem de origem desconhecida e interpretada por sua filha Murph, Cooper se dirige a uma instalação da NASA. Lá ele toma conhecimento de alguns planos para tentar salvar a vida na Terra e ele é convocado para a missão de encontrar um planeta habitável em outra galáxia.

O primeiro ato estabelece esse cenário preocupante com muita eficiência, além de servir para mostrar o quão forte é o laço sentimental entre Cooper e seus filhos, principalmente Murph. É claro que muito se deve a ótima atuação de McConaughey, que é um dos elementos essenciais para o sucesso do filme.

Após a missão ter início as coisas ficam ainda mais sérias e aí acompanhamos diversos conceitos científicos sendo abordados. Confesso que em alguns momentos me perdi no meio de tantas teorias envolvendo relatividade, física quântica e afins, mas a minha empolgação jamais diminuiu. A história exige nossa máxima atenção e somos recompensados por isso.

Christopher Nolan acerta em cheio nas cenas de ação, nas belas sequências que apenas mostram a nave vagando pelo espaço e também nos momentos mais intimistas. Quem considera Nolan um diretor frio vai ter que rever seus conceitos a partir de agora.

Consigo enxergar a influência de vários diretores aqui e cito os quatro mais evidentes: Mallick, Kubrick, Tarkovsky e Spielberg. Pode ser que Nolan não alcance a excelência de nenhum deles, mas o fato é que ele merece aplausos por conseguir misturar elementos destes quatro monstros do cinema de maneira coesa e impactante.

Há quem reclame do final, considerando até que estamos diante de um deus ex-machina (final improvável e artificial), algo de que discordo. As pistas estão lá na nossa cara e temos que entender que quando um enredo trabalha com viagem no tempo os paradoxos são quase inevitáveis. Além disso, o físico Kip Thorne trabalhou como consultor e aprovou o resultado final.

Tenho a impressão que Interestelar vai ser cada vez mais admirado ao longo dos anos. Eu mesmo já gosto mais dele hoje do que ontem, com direito a um acréscimo na nota.
9/10

As Três Noites de Eva (1941)

the-lady-eveAs Três Noites de Eva, filme estrelado por Henry Fonda e Barbara Stanwyck e dirigido por Preston Sturges, é considerado por alguns críticos como uma das melhores comédias já produzidas em Hollywood, opinião que estou longe de compartilhar. Não que acompanhar os encontros e desencontros da sagaz Jean e do ingênuo Charles seja uma experiência sem atrativos, mas os defeitos da obra acabam ofuscando seus acertos. De positivo temos o ritmo agradável, a brilhante atuação de Barbara Stanwyck, interpretando uma mulher ousada, inteligente e conquistadora e também alguns diálogos e situações engraçadas, com direito a boas doses de tensão sexual. Mas as coisas boas param por aí. A trama é tão absurda que não nos permite embarcar na história. Os personagens passam do amor ao ódio em questão de minutos, isso sem falar na forçada da barra quando Charles não reconhece Jean nas cenas em que esta finge ser uma aristocrata inglesa. As gags visuais repetitivas também não colaboram. Qual a graça de ver o mesmo personagem tropeçando umas 4 vezes em questão de poucos minutos? Ao meu ver, nenhuma. Temos aqui um clássico considerado intocável, mas que não provoca emoções genuínas e que simplesmente não empolga.
6/10

Review: Game of Thrones 4×05 – First of His Name

game-of-thrones-4x05-first-of-his-nameO episódio se inicia com a coroação de Tommen, o primeiro do seu nome, rei dos ândalos e lorde dos 7 reinos. Algumas coisas chamaram minha atenção nesta sequência, como a troca de olhares entre Margaery e o novo rei, além da conversa de Margaery e Cersei. Esta reconheceu que o filho era um monstro e a outra dissimulou muito bem o seu desejo de ser rainha.

Tywin revela que essa aliança com os Tyrell é mais importante do que se pensa, afinal Porto Real encontra-se em uma enorme dificuldade financeira. Parece-me que Tywin não anda mais “cagando ouro”, como é dito nos livros.

Talvez o que mais me agradou neste episódios foram as cenas de duas duplas espalhadas por Westeros: Arya e Cão de Caça e Poddrick e Brienne. A garota Stark praticava os ensinamentos que recebeu de Syrio Forel quando o Cão de Caça começou a tirar sarro do estilo de combate dela de um jeito nada simpático, obviamente. O fato é que ele mostrou ter um pouco de razão. Poddrick e Brieene começam a se conhecer melhor e o jovem escudeiro demonstra algumas dificuldades na sua função, nos garantindo boas risadas. De qualquer forma, ficou evidente que uma amizade está se formando.

Não gostei muito da sequência de Daenerys por ser curta e por deixar claro que o ataque que queremos vê-la fazendo vai demorar um pouco ainda. Isso está um pouco enrolado e repetitivo, convenhamos. Tudo bem que é assim nos livros, apenas acho que George Martin poderia ter acelerado esse processo. E onde estão nossos queridos dragões?

E o que dizer de Sansa, Mindinho e Lysa Arryn no Ninho da Águia? Ficou evidente a carência de Lysa Arryn, hein? A mulher quis casar o quanto antes com Petyr para poder “gritar tão alto que vão me escutar no mar estreito”. E foi o que aconteceu, grande Mindinho! Outro momento de destaque foi a conversa entre Lysa e Sansa, que teve inicio como um típico bate-papo entre tia e sobrinha e terminou em um acesso de ciúme bizarro de Lysa. É claro que Sansa não aguentou o tranco e foi às lágrimas, coitada.

Para fechar este razoável episódio, a sequência de Jon e os outros liquidando com os traidores na fortaleza de Craster. Por um momento achei que Brandon e Jon iriam se encontrar, mas é claro que não nos dariam essa alegria tão cedo. Pelo menos, nos reservaram algumas situações animadoras e até emocionantes: Bran controlando Hodor e matando Locke e o reencontro de Jon Snow e Fantasma.

Particularmente, não me empolguei tanto com este episódio. Personagens como Arya, Daenerys e Brienne tiveram muito pouco tempo de destaque e algumas coisas soaram um tanto repetitivas. Apesar disso, confio nos roteiristas da HBO plenamente. Já foi provado que eles são capazes de amarrar os arcos narrativos de maneira inteligente, sem desrespeitar a essência do material original.
7.5/10

 

Review: Game of Thrones 4×04 – Oathkeeper

Game-of-Thrones-Oathkeeper-1Após o episódio morno da semana passada, Game of Thrones retorna a sua qualidade habitual com “Oathkeeper“. Temos aqui bastante coisa acontecendo, muitas informações, várias expectativas criadas para os próximos episódios e uma cena final chocante.

Durante a conversa entre Mindinho e Sansa, ficou claro que ele foi o responsável pela morte de Joffrey. Foi possível também verificar a enorme ambição deste personagem imprevisível. O que ele quer? O que ele pretende com esse tipo de ação? TUDO, é o que ele responde. Mindinho agora vai em direção a Lysa Arryn, irmã de Catelyn Stark.

O fato é que Mindinho não agiu sozinho quando tirou a vida do rei. Esta foi uma trama bem elaborada, que contou ainda com a participação de Olenna Tyrell. A simpática senhora sabe como as coisas funcionam nas linhagens reais. Agora, ela oferece preciosas dicas para Margaery conquistar a afeição e fazer cabeça do jovem Tommen, o futuro rei. É interessante perceber que o garoto Tommem parece ter um bom coração. Sempre odiamos Joffrey e o seu reinado. Será que as coisas serão diferentes agora? Será que vamos torcer, por exemplo, para Daenerys chegar em Porto Real e decepar a cabeça do coitado? E convenhamos, a mãe dos dragões está ficando bem violenta e vingativa, com quem merece, é claro.

Tivemos alguns bons momentos de humor, como a tutoria oferecida por Bronn para Jaime, com direito a uma técnica inesperada e eficaz. Outra cena que arrancou risadas, foi aquela em que o escudeiro Pod chamou Brienne de Sir, se retratando logo em seguida. Os dois agora vão se unir com o objetivo de encontrar Sansa Stark, afinal Brienne fez essa promessa para Catelyn anteriormente. Para ajudar na busca e como prova de amizade, Jaime presenteia Brienne com a espada “Cumpridora de Promessa“.

Falando em Jaime, o regicida está em uma posição delicada. Ele acredita que Tyrion não foi o responsável pela morte de Joffrey, mas isso faz Cersei ficar ainda mais fria com ele.

Mas as coisas realmente esquentaram (…sério?) no Norte. Jon Snow convence Allister Thorne da importância de ir até a Fortaleza de Craster e lidar com os traidores antes que Mance apareça por lá. Jon Snow forma um grupo de voluntários, mas conta com a presença do mais do que suspeito Locke, que recebeu a ordem dos Bolton de encontrar os garotos Stark.

E não é que Brandon Stark e seu grupo estavam bem próximos a casa de Craster? Aliás, o local virou uma zona. Os traidores da patrulha da noite violentam as mulheres do local de todas as formas possíveis e mantém a tradição de levar os filhos de Craster como oferenda para os Caminhantes Brancos. Infelizmente, Brandon e os outros foram capturados. Foi legal ver Bran usando o poder de controlar o corpo do lobo gigante, mas foi triste ver o animal caindo em uma armadilha.

Dessa vez tivemos o desprazer de acompanhar o destino de uma “oferenda”. Game of Thrones já nos mostrou várias crueldades e hoje tivemos mais um exemplo. O bebê chegou às mãos de um tipo de líder dos caminhantes brancos e, com um toque, iniciou uma inevitável transformação. Mais um para o exército!

A guerra dos tronos continua sangrenta e indefinida, mas quando o povo de Westeros vai se preocupar realmente com os caminhantes brancos? Se demorarem muito, pode ser tarde.

Temos muita tensão pela frente! E lembrando… seriado é seriado, livro é livro. Para que comparar? Para que falar que o episódio é ruim apenas porque está diferente dos livros? Bom senso, galera!
9/10

Review: Game of Thrones 4×03 – Breaker of Chains

game-of-thrones-4x03-breaker-of-chainsApós o intenso episódio da semana passada, podemos considerar este terceiro capítulo da quarta temporada como uma experiência um tanto morna. A trama avança pouco, mas algumas respostas foram dadas e certos rumos começam a ser trilhados, principalmente em relação a Tyrion e a aproximação dos selvagens. Não temos nenhum acontecimento de real impacto e o ritmo é um pouco lento.

Com a morte de Joffrey, Tywin assume a responsabilidade de controlar a situação. E ele não perde tempo. No velório de Joffrey ele não hesita em conversar com Tommen sobre qual a qualidade que o comandante precisa ter para ser um bom rei. Justiça? Santidade? Força? Tywin oferece vários exemplos que mostram que tais virtudes não são as ideais. O garoto chega a conclusão de que um rei necessita de sabedoria, algo que ele adquire com o tempo e com seus conselheiros. Fica claro que Tywin já está iniciando o processo de influenciar as atitudes do jovem rei.

E não foi apenas essa conversa que aconteceu na presença do corpo inanimado de Joffrey. Presenciamos também a demonstração do sentimento doentio entre Jaime e Cersei, em uma das cenas mais mórbidas do seriado. No seriado foi um estupro, no livro não me pareceu ser bem assim. Teria que reler a passagem para confirmar.

Tyrion aguarda o seu julgamento na prisão. Ele recebe a visita de Poddrick, que lhe traz um pouco de comida e informações. Tyrion será julgado por três juízes, sendo que um deles é Oberyn, em mais uma astuta manobra de Tywin. Foi tocante acompanhar o forte laço de amizade entre o anão e o seu fiel escudeiro.

Descobrimos que Mindinho planejou o resgate de Sansa. Com qual intenção? O tempo irá dizer. Está aí um personagem dos mais interessantes, inteligentes e perigosos. Um diálogo revela bastante sobre sua maneira de pensar: “dinheiro compra um silêncio temporário, a morte compra o silêncio eterno”.

Outro personagem dos mais cruéis é o Cão de Caça, que mesmo recebendo abrigo e comida de um desconhecido, não pensa duas vezes antes de roubar todas as economias que ele possuía. Arya fica revoltada com a atitude dele, mas o Cão lhe diz que as coisas funcionam assim neste mundo. Se formos pensar em termos de sobrevivência em Westeros, será que ele está errado?

As sequências mais interessantes foram as passadas na Muralha e seus entornos. Tivemos um pouco de enrolação com Sam pensando na melhor maneira de proteger Gilly, mas também foi nessas redondezas que vimos o brutal ataque dos selvagens, com participação efetiva de Ygritte. Os selvagens estão chegando e a patrulha da noite encontra-se muito reduzida. Como Jon Snow e os outros vão proceder? Tudo indica que, inicialmente, eles darão um jeito naqueles que tiraram a vida de Mormont.

Para encerrar este regular episódio, um pouco da mãe dos dragões. O objetivo de Daenerys é libertar o maior número de escravos e o próximo alvo é Meeren. O confronto entre o campeão da cidade e Daario Naharis foi um ótimo momento, apesar do resultado previsível. Agora sabemos que ele é casca grossa também. As correntes quebradas foi uma ótima ideia, mas não criou tantas expectativas para a sequência. Pelo menos para mim.

Talvez este tenha sido um dos episódios mais fracos de Game of Thrones, mas isso não me permite chamá-lo de ruim. Breaker of Chains serviu o propósito de explicar algumas coisas e de preparar o terreno para o que vem pela frente.
7/10