Crítica: Cargo (2009)

Inspirando-se em vários filmes do gênero, Cargo tenta ser uma ficção científica de qualidade e não consegue. Muito do que vemos aqui já vimos em trabalhos bem melhores do passado.

No ano de 2667 a Terra deixou de ser habitável. Quem tem condições financeiras segue para Rhea, um planeta semelhante a Terra. Laura faz parte dos tripulantes de uma nave que irá levar uma carga até uma estação próxima a Rhea. São quatro anos de viagem, mas a equipe irá dormir na maior parte do tempo.

Coisas misteriosas começam a acontecer durante a jornada e segredos são revelados. O duro é conseguir entender quem é quem e acreditar nas reviravoltas absurdas. Graças a um roteiro mal elaborado, vemos situações surgindo do nada. Para piorar, somos incapazes de criar qualquer vínculo com os personagens. Entender as motivações deles beira o impossível.

A artificialidade de Cargo é evidente. Talvez o pior exemplo disso seja no romance mais forçado que vi no cinema nos últimos tempos. O único ponto positivo está nos razoáveis efeitos especiais, principalmente se considerarmos o orçamento enxuto.

Arrastado, derivativo e sem inspiração, Cargo tem quase tudo o que eu não quero ver em um filme do gênero.

Nota: 4

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Extinção (Extinction, 2018)

Extinção é mais uma bomba produzida pela Netflix, que precisa urgentemente melhorar a qualidade de seus filmes. Somos apresentados aqui a um homem que está sofrendo com pesadelos. Ou será que são visões? Ele vê uma invasão, o mundo destruído e sua família sofrendo. As sequências alternando entre essas visões e o presente fazem o ritmo de Extinção algo errático. Quando menos percebemos as coisas começam a acontecer rápido demais. Não existe tempo para criar um mínimo de empatia por Peter e sua família. Aberrações em forma de clichês se fazem presentes, principalmente nas atitudes das filhas de Peter, que obviamente servem apenas para deixar todos em risco. Por um dado momento, achei que estava diante de um fraquíssimo spin-off Colony. Com efeitos especiais irregulares, atuações no piloto automático e uma reviravolta pouco inspirada, Extinção é uma experiência sofrível.
IMDb

Crítica: Ex Machina (2015)

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Exemplares de ficção científica que trabalham de maneira instigante com ideias promissoras tem um lugar especial no meu coração. É o caso desta ótima surpresa Ex Machina. Dirigido pelo estreante Alex Garland (que assinou os roteiros de Extermínio e Dredd), o filme se passa em um futuro não muito distante. O enredo mostra Caleb, um programador de uma empresa, ganhando uma ‘loteria’ cujo prêmio é um tanto diferente. Ele recebe o direito de ir até a isolada propriedade de Nathan, o excêntrico dono da empresa, para participar de um teste do turing. Através de interações diárias com o robô criado por Nathan, Caleb deve julgar se a máquina que está a sua frente pode se passar por um humano. É certo que o tema da inteligência artificial já foi utilizado anteriormente, mas poucas vezes ele fascinou tanto como aqui. Será que essa máquina é capaz de sentir ou ela apenas foi programada para parecer ter sentimentos? Essa e outras reflexões sobre os avanços da tecnologia são impulsionadas pelo roteiro inteligente. Além disso, o clima de suspense, a imprevisibilidade e algumas reviravoltas agradam bastante. Com uma trilha sonora hipnotizante, o ato final é daquelas experiências inesquecíveis e impactantes. Grande filme!

5

Crítica: Expresso do Amanhã (2013)

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Após uma tentativa problemática de conter o aquecimento global, a Terra entra em uma nova era glacial. Tudo está morto, destruído e congelado. Os únicos sobreviventes estão dentro de um trem que dá voltas ao redor do mundo. Sair do trem não é uma opção, a não ser que você queira congelar até a morte em questão de minutos.

A trama se passa no de 2031, um futuro nada convidativo.

Esse gigantesco trem é dividido por classes. Na cauda, os pobres, na frente, a elite. Existe um comandante que fica no primeiro vagão e funciona como uma autoridade nos moldes do grande irmão de 1984. O povo da parte de trás do trem é constantemente maltratado, tendo que conviver com injustiças, opressão e insossos blocos de proteína como alimento. Curtis, um dos líderes dos oprimidos, chega a conclusão de que está na hora de uma revolta total.

Com um ritmo adequado para o material, o filme permite que o público se envolva com a perturbadora situação dos personagens. As cenas de ação são esteticamente empolgantes e bem dosadas. A criatividade é um dos trunfos aqui, principalmente na concepção dos visuais. Falo isso tanto para o (gelado) lado de fora, como para o trem propriamente dito, afinal cada vagão apresenta um cenário diferente.

O Expresso do Amanhã consegue se utilizar de várias influências, como 1984, Brazil e Metrô, para criar seu próprio estilo e e sua própria história. Além de funcionar como uma ótima ficção-científica, não é exagero dizer que ele é capaz de nos fazer pensar um pouco sobre os caminhos perigosos que a nossa sociedade está trilhando nas questões ambientais.
8.5/10

/dica do parceiro cinecapsulas

O segundo e excelente trailer de Elysium

Se existe um filme que aguardo com muita ansiedade é este Elysium. O diretor sul-africano Neill Blomkamp impressionou a todos com Distrito 9 em 2009, garantindo 4 indicações ao Oscar, incluindo a de melhor filme. Em Elysium parece que a ambição de Blomkamp é ainda maior. A julgar pelo belo trailer, ele sabe o que está fazendo!

Para nós brasileiros ainda há a curiosidade de ver Alice Braga e Wagner Moura em uma superprodução internacional.

Está previsto para estrear aqui em meados de agosto.

Mais informações a respeito do filme? IMDb.

Crítica: Oblivion (2013)

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O ano é 2077 e a Terra encontra-se destruída após uma invasão alienígena. Como é dito no filme, ganhamos a guerra e perdemos o planeta. Devido ao caos pós-apocalíptico, a população foi transportada para uma lua de Saturno. Os únicos seres humanos por aqui são Jack Harper (Cruise) e Victoria, responsáveis por garantir a extração de recursos naturais para serem utilizados na colônia. Mesmo com a memória apagada, Jack tem flashes recorrentes de uma mulher que parece ser importante para ele. Certos acontecimentos (que prefiro não revelar) o fazem questionar a situação em que se encontra. Oblivion oferece um visual espetacular ao explorar um planeta Terra vazio e gigantesco. Além disso, todos os detalhes em relação as tecnologias avançadas são um acerto, tanto nas armas e naves, como na própria torre em que os dois vivem. Fica fácil nos sentirmos no futuro. Algumas sequências simplesmente investem na beleza dos cenários e na espetacular trilha sonora de música eletrônica da M83. Na tela do cinema são cenas realmente empolgantes de se assistir. Os problemas começam quando percebemos a quantidade absurda de assuntos de ficção-científica que o filme tenta abordar. São muitos temas e pouca inspiração para desenvolvê-los, tornando a experiência confusa em alguns momentos. Outro problema são as cenas de ação, que mesmo com os competentes efeitos especiais e o ótimo som, são repetitivas e duram mais tempo do que deveriam. Para os fãs de sc-fi recomendo prestar atenção nas várias referências ao gênero, que vão desde 2001 – Uma Odisseia no Espaço até Matrix. Somem isso ao que realmente é Oblivion: uma história de amor. Dá para sentir que é coisa demais para dar certo. Eis um caso em que o excesso de ambição prejudica bastante o resultado final.
6/10 

 

Trailer: Elysium (2013)

Os frequentadores do Intratecal sabem que um dos meus gêneros preferidos é a ficção científica. Dito isso, creio ser mais do que eu justo eu me empolgar bastante com esse trailer, certo?

O diretor sul-africano Neill Blomkamp impressionou a todos com o fantástico Distrito 9 em 2009, filme que inclusive foi indicado ao Oscar da categoria principal. Estou na torcida para que ele confirme essa ótima primeira impressão. Julgando pelo trailer, as chances são boas.

Que tal?

Crítica: Dredd (2012)

Após a frustrada primeira versão cinematográfica deste personagem dos quadrinhos, era de se esperar que Dredd não tivesse mais chances na telona. Sorte a nossa que não. Dirigido por Pete Travis e com Karl Urban como o juiz, esse reboot nos oferece tudo aquilo que o filme de 1995 com o Stallone jamais conseguiu: ação de qualidade, violência e 90 minutos de puro entretenimento.
Um dos aspectos mais interessantes de Dredd é a ambientação. Estamos em meio a um futuro distópico no qual a cidade de Mega-City One alcança a marca de 800 milhões de habitantes. A cidade é toda cercada por muros, pois fora deles nada mais resta a não ser um deserto radioativo. Dentro as coisas não são muito melhores, afinal a criminalidade chega a níveis absurdos. Para tentar controlar os bandidos, a lei fica inteiramente na mão dos chamados Juízes, que tem a função de julgar, condenar e executar.
Dredd, um dos juízes mais competentes, recebe a tarefa de avaliar uma possível nova juíza, que mesmo não obtendo as notas necessárias, recebe mais uma chance por possuir a útil habilidade de ler mentes.
Os dois atendem um chamado vindo de um imenso prédio onde três homicídios aconteceram. Após encontrarem o assassino, Dredd e a novata estão prestes a sair quando uma voz feminina informa que o prédio será fechado até que os juízes sejam mortos. A dona da voz é Ma-Ma, a pessoa que manda em toda aquela região e que está por trás da droga Slo-Mo, cujo efeito é fazer o usuário ter uma percepção de mundo muito mais lenta do que o normal.
O roteiro é simples e direto e é justamente por isso que tudo funciona tão bem. Embaladas por uma viciante trilha sonora eletrônica, as sequências de ação estão repletas de energia e muito sangue. Não há espaço para misericórdia aqui. Quem resolver ir contra a lei terá que se acertar com o Juiz Dredd, algo não muito recomendado. A câmera lenta garante um tom artístico para toda a violência. São cenas visualmente muito bonitas, ainda que geralmente o que é retratado não é nada agradável. É interessante notar que a utilização da câmera lenta é justificada pelo roteiro, pois ela nos mostra o que a pessoa sente após usar a droga.
Karl Urban, o eterno Éomer de Senhor dos Anéis, faz um ótimo trabalho com o que lhe é permitido. Dredd jamais tira o capacete, então o ator se expressa apenas com a voz e com movimentos da boca e só com isso consegue a empatia do público, inclusive desferindo um pouco de humor negro.
Trata-se de um filme que não tem maiores pretensões, mas que é bem eficiente no que se propõe. Ele não foi bem nas bilheterias, o que pode ser explicado em parte pela classificação indicativa de 18 anos. O fato é que estamos diante de um dos melhores filmes de ação do ano e que fica ainda melhor no cinema, pena que já está saindo de cartaz.
8/10

Crítica: Corrida da Morte – Ano 2000 (1975)

Para aproveitar as qualidades desse clássico cult é necessário deixar de lado o bom senso e também o politicamente correto. A corrida da morte do título nada mais é do que uma corrida de carros que atravessa os Estados Unidos de costa a costa. Dentre os pilotos temos o adorado Frankenstein (David Carradine) e o sempre furioso Machine Gun Joe Viterbo (Sylvester Stallone). O objetivo é ser o primeiro a cruzar os Estados Unidos, além de atropelar pedestres pelo caminho para somar pontos, lembrando que crianças e idosos valem mais. Os atropelamentos espetaculares não são poucos e mesmo com efeitos especiais um tanto precários eles são sadicamente empolgantes. É estranho ver toda a população se divertindo com a corrida, mas chega um momento que pegamos o espírito do filme e nos sentimos recompensados com um humor negro de qualidade e várias críticas sociais, principalmente contra o próprio Estados Unidos. É uma visão bizarra do futuro que funciona pelo fato de Corrida da Morte – Ano 2000 não se levar a sério. Trata-se de um autêntico b-movie dos anos 70.
7/10 

Crítica: It Came from Outer Space (1953)

Quando uma nave espacial aterriza na Terra é de se esperar uma reação intensa da população, mas não é exatamente o que ocorre aqui. Tirando um ou outro personagem, temos a impressão de que o contato com seres de outro mundo é algo corriqueiro para os habitantes do deserto do Arizona, o que é uma das grandes falhas do roteiro. As dúvidas em relação aos verdadeiros objetivos dos extraterrestres não duram muito tempo, mas pelo menos garantem alguns bons momentos de aflição e relativo suspense. A essência de It Came from Outer Space está embutida no diálogo do personagem principal, que diz que os homens são agressivos com aquilo que não compreendem. É uma analogia interessante sobre toda a perseguição sofrida por diversas minorias, mas que acaba não se revelando tão forte devido a baixa qualidade do filme. Deve-se relevar os efeitos especiais em sua maioria toscos, mas fica difícil de aceitar cenas como aquela em que uma personagem toma um baita susto ao ver uma criança fantasiada de astronauta. Por essas e por outras é complicado gostar do que é visto aqui e pior ainda é entender a presença desse filme na lista das 100 melhores ficções no Rotten Tomatoes.
5/10 

Crítica: Another Earth (2011)

Um dos trunfos de Another Earth é misturar sci-fi com um drama pessoal que funciona na maior parte do tempo, tendo que gastar para isso não mais do que 90 minutos, colaborando para o dinamismo da experiência.

O acidente fatal causado por Rhoda Williams faz com que a vida dela mude completamente. De uma universitária de futuro promissor acaba se tornando faxineira graças aos 4 anos de prisão. Ela foi presa por ter dirigido alcoolizada e acabado com a família de John Burroughs.

Essa situação ocorre no mesmo tempo em que uma nova Terra é descoberta. Um planeta idêntico ao nosso, não só em termos geográficos, mas também humanos. É com espanto que percebemos que a Terra 2 é como um espelho do nosso mundo, já que lá existe uma “cópia” de cada pessoa que aqui vive.

O conflito pessoal de Rhoda às vezes soa absurdo, principalmente devido a maneira que ela se aproxima de John, algo que às vezes parece mais inacreditável do que a existência de um planeta igual a Terra, mas é inegável que essa situação proporciona momentos dolorosos e melancólicos suficientes para que nos importemos com os dois personagens. O diretor Mike Cahill constrói uma atmosfera fria, um tanto depressiva, que reflete bem o sentimento de Rhoda e John. A câmera digital também é essencial para que tudo se torne mais próximo de nós, mais real e mais urgente.

Olhando agora para a essência sci-fi do filme, ele merece reconhecimento pela ideia criativa que proporciona diversas discussões. Como receberíamos a notícia de que existe uma pessoa igual a nós? Será que ela teria os mesmos gostos, as mesmas vontades, os mesmos medos?

Talvez o roteiro poderia ter explorado mais esse ar misterioso que envolve a Terra 2, ao invés de centrar tanto no lado intimista da história. Em um mundo como o nosso, em que a grande maioria da população é religiosa, seria interessante mostrar algo relacionado a isso. Como as pessoas encarariam algo desse tipo em um lado espiritual? Faltou um pouco de tempo e quem sabe de ousadia para trabalhar esse lado.

De qualquer forma, Another Earth é um filme que intriga, que traz um ar de novidade para o gênero e que é dono de um desfecho que permite várias interpretações. É sempre bom poder imaginar as diversas possibilidades de um final, exatamente como ocorre aqui.
7/10 

Crítica: Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles (2011)

Apesar de obviamente feito sem pretensões de passar algum tipo de mensagem, Battle Los Angeles não consegue empolgar nem na sua única suposta qualidade: a ação. A sucessão de cenas repletas de tiros e explosões nada mais é do que uma experiência confusa, cansativa e irritante. Não dá para  saber quem é quem no meio desse caos e corremos o risco de ficarmos enjoados graças a câmera exageradamente tremida.
Não existe nenhum tipo de antecipação em relação a invasão alienígena. Do nada já estamos no meio de uma batalha pela sobrevivência. Qual a graça? Por que não trabalhar essa situação de uma maneira que o suspense e a tensão cresçam a cada minuto?
É difícil aceitar o fato da Terra ser atacada e os soldados americanos em vez de aparentarem preocupação e medo, ficarem fazendo piadinhas estúpidas e sem graça a cada tiro, a cada morte. Isso sem contar os inúmeros clichês de filmes de ação, principalmente aqueles que envolvem atos heróicos e suicídas.
Dizer que Battle Los Angeles é desse jeito por não querer ser mais do que um filme de ação é uma péssima desculpa para a falta inspiração.

3/10
IMDb