Cantando na Chuva (Singin’ in the Rain, 1952)

cantandonachuva

Nunca fui um grande fã de musicais, mas existem alguns exemplares do gênero que jamais deixam de me empolgar, como é o caso do intocável clássico Cantando na Chuva. É claro que o momento mais memorável se dá quando Gene Kelly dança, canta e sapateia na chuva, porém o filme é recheado de cenas vibrantes e até sensuais, além de funcionar como um retrato preciso e bem-humorado de um período crucial para a sétima arte: a transição do cinema mudo para o cinema falado. O enredo aborda tanto a dificuldade de adaptação de alguns atores, como inúmeras dificuldades técnicas em relação a posição do microfone e a captação de ruídos. Esnobado pelo Oscar, ganhou a admiração dos cinéfilos ao longo dos anos e envelhece cada vez melhor.
9.5/10

Crítica: A Luta Pela Esperança (2005)

Das Comeback

Sempre tive preguiça de assistir a Luta Pela Esperança, um pouco por se tratar de boxe – um tema já muito abordado – e, também, pela relativamente longa duração. Não que se trate de umótimo filme, mas o fato é que fui surpreendido por suas qualidades e quase me arrependi de ter esperado tanto tempo para “encará-lo”.

O roteiro é baseado na história de James Braddock, uma verdadeira lenda do esporte. Como a maioria das adaptações cinematográficas, várias modificações foram feitas, algumas gerando resultado positivo e outras nem tanto.

Tudo se passa nos anos que se seguem a Grande Depressão, provavelmente o pior período enfrentado pelo povo americano. James Braddock e sua família foram uma das muitas vítimas daquela trágica realidade. Por um excesso de derrotas, lesões e pela falta de dinheiro, Braddock teve que largar o boxe e tentar arranjar algum dinheiro em serviços temporários, algo nem sempre possível.

O pior momento de vida dele e também o momento de maior impacto emocional do filme, se dá quando Braddock deixa o orgulho de lado e vai pedir dinheiro para alguns de seus conhecidos.

Eis que a oportunidade de voltar aos ringues cai dos céus. O problema é que um de seus próximos adversário é dos mais brutais, tendo, inclusive, matado dois oponentes com seus potentes golpes.

A Luta Pela Esperança não se esforça para fugir da fórmula dos filmes de esporte e exagera ao transformar Max Baer em um vilão de caráter desprezível. Os 144 minutos de duração também se tornam um defeito, já que nem todas as cenas se mostram realmente importantes para a história.

Apesar de tudo, graças a eficiente direção de Ron Howard e as inspiradas atuações de Russell Crowe e Paul Giamatti (indicado ao Oscar de ator coadjuvante por esse trabalho), conseguimos nos envolver com todo o drama vivido pelo lutador e ainda experimentamos um pouco de suspense na luta final. Aliás, é mesmo dentro do ringue que A Luta pela Esperança se destaca. As lutas são mostradas com muita brutalidade e competência técnica, com direito a boas doses de emoção.

Não é um filme que eu assistiria novamente, mas não poso negar que tive uma boa experiência e que me sinto à vontade para recomendá-lo, principalmente para os que tem mais afinidade pelo tema.
8/10

Crítica: O Salário do Medo (1953)

o-salario-do-medo-1Dirigido por Henri-Georges Clouzot e estrelado por Yves Montand, O Salário do Medo é uma aventura cheia de tensão, cujo resultado é totalmente imprevisível. O primeiro ato do filme investe um bom tempo no vilarejo de Las Piedras, localizado em algum lugar da América Latina. Tal localidade se tornou um reduto de estrangeiros sem dinheiro, em busca de qualquer trabalho minimamente decente.

Eis que surge uma oportunidade quando uma empresa americana precisa transportar nitroglicerina até um poço de petróleo que pegou fogo. Trata-se de uma missão praticamente suicida, dada a instabilidade do produto e o longo e tortuoso caminho que quatro pessoas deverão percorrer dirigindo dois caminhões. O pagamento: 2 mil dólares. Seria este o preço de uma vida?

Há quem reclame de uma certa lentidão da primeira parte, porém ela é essencial para desenvolver alguns personagens e ressaltar a precária situação de Las Piedras e seus habitantes. Assim nos envolvemos muito mais com eles e nos importamos com os arcos narrativos, principalmente com o de Jo, que passa de “cabra da peste” para covarde em questão de quilômetros.

Os obstáculos enfrentados tornam-se cada vez mais complicados, nos deixando em dúvida se eles conseguirão alcançar o destino. O suspense se faz presente em cada instante. Não é à toa que Clouzot já foi chamado de Hitchcock francês.

Algumas críticas ao capitalismo também podem ser percebidas, enriquecendo este material que é, na essência, um entretenimento de muita qualidade. Como curiosidade, O Salário do Medo foi o primeiro filme a vencer tanto o urso de ouro em Berlin, como o grande prêmio do festival de Cannes.
8.5/10

Amores de Apache (Casque D’or, 1952)

amores-de-apache-1952

Baseado em um acontecimento real, Amores de Apache nos transporta para uma impressionista e perigosa França da Belle Époque. O diretor Jacques Becker se preocupa com cada detalhe dos figurinos, cenários e até com a atitude dos personagens, alcançando uma atmosfera das mais autênticas.

O enredo foge de qualquer tipo de complexidade. Trata-se de um drama romântico envolvendo um triângulo amoroso, um código de honra e um óbvio fim trágico.

Elevado pela magnífica atuação de Simone Signoret e pela inesperada mistura de sensibilidade e brutalidade, Amores de Apache é um filme pouco visto, mas só pelo fato de ter influenciado cineastas como Goddard e Truffaut já merece nossa atenção, não é mesmo?
8.5/10

Crítica: As Oito Vítimas (1949)

as-oito-vitimas

As Oito Vítimas tem início com o personagem Louis escrevendo suas memórias na véspera do próprio enforcamento. Acompanhamos através de um flashback e com a narração em off o desenrolar dos fatos que o levaram a tal situação.

Parente distante do Duke de D’Ascoyne, Louis considera que sua mãe e ele mesmo foram desrespeitados pela família. Como vingança, decide assassinar os 8 herdeiros que estão na sua frente na linha de sucessão.

Dirigido por Robert Hamer, o filme é um exemplar inesquecível da comédia do final da década de 1940. Apostando em um humor negro e inteligente, o sofisticado roteiro consegue deixar as coisas intrigantes e imprevisíveis. Espere por reviravoltas, por assassinatos peculiares com comentários sarcásticos de Louis sobre as vítimas e por algumas reviravoltas.

Curiosidade: Alec Guinness interpretou nada menos do que 8 papéis diferentes, cada um com um detalhe diferente e especial. Destaco o capitão do navio e o padre. Está aí um filme pouco visto que merece muito mais atenção do que recebe.
9/10 

Crítica: Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola (2014)

A Million Ways to Die in the WestDirigido e estrelado por Seth MacFarlane, Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola é típico besteirol americano sem qualidade. Ambientado no velho oeste, o filme é uma verdadeira bagunça em termos de enredo. Por um tempo maior do que o necessário, vemos Albert demonstrando sua covardia, tendo problemas de relacionamento e arrumando confusões. A ideia é satirizar o gênero Western, algo que é feito com pouca inspiração. O humor aqui é dos mais sem graça, com piadas que se repetem ciclicamente e tornam-se mais do que previsíveis. Isso sem falar nas cenas apelativas e forçadas. Acho que tivemos umas 4 piadas envolvendo gases e fezes líquidas em menos de 20 minutos. Confesso que ri um pouco no primeiro ato, mas na maior parte do tempo fui tomado pelo tédio e pelo desejo de simplesmente abandonar a sala do cinema. Corajosamente (e de maneira masoquista), fui até o fim e pude confirmar uma suspeita: Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola entra forte na disputa de pior filme do ano. Favoritaço!
4/10

Crítica: No Limite do Amanhã (2014)

edge-of-tomorrow-2014Em um futuro não muito distante, nosso planeta Terra está prestes a sucumbir à uma invasão alienígena. Cage (Tom Cruise) é um oficial do exército sem experiência bélica obrigado a ir para o front de batalha. Sentimos o medo dele nos momentos que antecedem a chegada na praia tomada pelo caos da guerra. Para vocês terem uma ideia, Cage não sabe nem destravar a arma do seu exoesqueleto e tem aversão a sangue. Em poucos minutos, o inevitável acontece: ele morre!

Calma, não se trata de um spoiler. Surpreendentemente, ele acorda no dia anterior e vai reviver tudo isso, com a oportunidade de mudar o próprio destino e o do mundo inteiro. Esse é um exemplo da magia do cinema e da ficção científica! A explicação para tal fenômeno é obviamente absurda, mas qual não seria? Isso é o menos importante.

No Limite do Amanhã mistura elementos de filmes como Feitiço do Tempo, Tropas Estelares e Contra o Tempo, obtendo um resultado dos mais interessantes. Apesar de Cage reviver o mesmo dia ad aeternum, o enredo está longe de ser repetitivo. A edição e a interpretação de Tom Cruise são essenciais para isso. Cruise consegue nos fazer entender quando seu personagem está revivendo alguma situação ou quando encara algo pela primeira vez.

Tal elemento do roteiro abre espaço até para cenas de humor, algo que é executado de maneira que beira a perfeição. Dessa forma, somos embalados por uma história repleta de ação de qualidade, boas doses de humor e atuações competentes, fazendo de No Limite do Amanhã um blockbuster eficiente.

Infelizmente, o filme perde força no ato final e opta por uma resolução pouco imaginativa. Mas sejamos justos, esses deslizes tiram bem pouco do brilho desta ótima Sci-Fi.
8.5/10