Crítica: The Music Box (1932)

music-box-1932Já havia assistido a Filhos do Deserto da dupla Laurel e Hardy (o Gordo e o Magro) e tinha gostado bastante, mas não foi o caso com este The Music Box. Trata-se de um curta de 30 minutos que mostra os dois transportando um piano escadaria acima e passando por diversas dificuldades. O problema é que o humor pastelão aqui não é nada inspirado. Durante 30 minutos eu não fui capaz de dar uma única risada. Todas as cenas são previsíveis, com resultados extremamente estúpidos. Claro, o objetivo era esse, mas isso é engraçado? Ver alguém pisando em um prego, chutando a bunda de uma mulher e colocando um chapéu molhado na cabeça é engraçado? Não para mim. É muita tolice para ser minimamente divertido. Entediante é a palavra que usaria para definir a experiência de se assistir a este curta. Até Todo Mundo em Pânico é mais eficiente no que se propõe.
4/10

Crítica: Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (2014)

hoje-eu-quero-voltar-sozinhoHoje Eu Quero Voltar Sozinho, filme dirigido e roteirizado pelo ótimo Daniel Ribeiro, é mais uma prova de que o Brasil possui um talento monstruoso em termos de cinema. Como é bom assistir a um filme que é sensível, emocionante, profundo e divertido. São cerca de 95 minutos que passam voando e nos deixam ávidos por mais.

Os adolescentes Leonardo (Guilherme Lobo) e Giovana (Tess Amorim) são amigos inseparáveis prestes a iniciar mais um ano letivo. Leonardo é cego desde o nascimento, mas ele consegue viver bem com isso, apesar do excesso de proteção da mãe. Ela tem muitas dificuldades de aceitar o fato de que o garoto pode e deve fazer as coisas sozinho de vez em quando. Infelizmente, na escola, Leonardo é alvo de bullying em algumas situações. É triste notar que as pessoas estão cada vez piores nesse sentido. Perde-se a civilidade, mas não a piada. Tudo isso o faz pensar em realizar um intercâmbio e sumir por uns tempos.

A forte amizade de Leonardo e Giovana recebe a companhia de Gabriel e logo se inicia um tipo de triângulo amoroso. O legal é que tudo acontece da maneira mais natural possível. A barra não é forçada em nenhum momento. O sentimento entre Leonardo e Gabriel cresce aos poucos, com um começando a gostar do estilo musical do outro, com conversas sinceras, piadas não intencionais e outras experiências.

Falando em música, várias cenas ganham em intensidade e significado graças as ótima escolhas da trilha sonora, que conta com The National, Belle and Sebastian e Arvo Part.

Estamos diante de uma história de amadurecimento que funciona tão bem devido ao brilhante roteiro e à qualidade do trio de atores principais. Criamos empatia com eles logo na primeira cena e assim compartilhamos suas alegrias e tristezas.

Confesso que fiquei impressionado com a capacidade de Daniel Ribeiro de abordar temas difíceis de um jeito leve, sem exageros, mas repleto de emotividade. Está aí um diretor cuja carreira quero acompanhar de perto.

E viva o cinema!
9/10

 

Leonardo (Guilherme Lobo), Gabriel (Fabio Audi), Giovana (Tess Amorim)

Review: Game of Thrones 4×02 – The Lion and the Rose

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ATENÇÃO PARA OS SPOILERS! NÃO LEIA SE AINDA NÃO ASSISTIU AO EPISÓDIO.

Depois deste ótimo episódio já podemos dizer que a quarta temporada começou a todo vapor. The Lion and the Rose foi ainda melhor que o episódio da semana passada e nos mostrou uma morte das mais relevantes do seriado até agora, que tem a possibilidade de mudar muito os rumos da história. Mas vamos deixar isso para o fim do texto.

Logo no início vemos o estado digno de pena no qual se encontra Theon Greyjoy. Não bastasse ele ter sido esfolado e ter perdido a masculinidade, Theon acompanha Ramsay em seus jogos violentos e doentios como se fosse um animal domesticado. Depois de ter sofrido tanto nas mãos do bastardo de Bolton, ele simplesmente não consegue enfrentá-lo, como ficou provado quando Theon fez a barba de Ramsay sem lhe tirar uma gota de sangue. Quem não gostou muito dessa situação foi Roose Bolton, que queria utilizar o herdeiro Greyjoy como moeda de troca.

Detalhe para o humor negro: a cena seguinte a essa que descrevi mostra Tyrion começando a degustar uma salsicha. Coitado de Theon!

Falando em Tyrion, fazia tempo que ele não sofria tanto. O “duende” precisou cortar as relações com Shae de uma vez por todas. Ou isso ou garota corria o risco de perder a vida bem rápido, já que Cersei estava bem informada do relacionamento da garota com o irmão. Esse foi só o começo do sofrimento de Tyrion aqui.

O episódio mostrou algumas cenas centradas em Bran Stark e em Stannis. O garoto Stark recebe um tipo de visão que lhe indica o caminho a seguir e Stannis percebe que Melisandre e o Senhor da Luz ganham cada vez mais poder e influência.

Mas é claro que o destaque vai para o casamento de Joffrey e Margaery Tyrell. Eu costumo ter uma imaginação relativamente fértil, mas devo dizer que o pessoal da HBO conseguiu deixar essa sequência ainda mais interessante do que eu imaginava quando li o livro.

Tudo parecia correr normalmente: Joffrey manifestando sua arrogância de sempre, se divertindo com o sofrimento dos outros, Cersei e Jaime expressando que sentem muito ciúmes um do outro, Oberyn dando indiretas para Tywin e assim por diante.

Eis que Joffrey começa a humilhar Tyrion de uma maneira brutal. Primeiro ele ordena o tio a participar de um combate contra uma trupe de anões de circo, depois joga vinho na cabeça dele e, em seguida, o obriga a servi-lo. O garoto toma o vinho, come alguns pedaços de bolo e começa a passar mal. Rapidamente, Joffrey sangra e parte dessa para uma melhor. É isso mesmo. O provável personagem mais odiado de Game of Thrones morreu! E todas as suspeitas recaem sobre Tyrion, que vai preso a mando de uma desesperada Cersei.

Um detalhe que pode ter passado batido por alguns é um comentário feito por Olenna Redwyne no início da festa, no qual ela fala sobre a crueldade de se tirar a vida de um recém-casado, se referindo ao destino de Robb Stark.

Afinal, quem envenenou Joffrey? A resposta virá.

Mais uma vez somos surpreendidos por um acontecimento chave em Game of Thrones. É claro que não foi algo tão intenso como o Casamento Vermelho (mesmo porque nesse caso foi uma morte que agradou aos fãs da série), mas segue a ideia de que nenhum personagem é intocável e que tudo pode acontecer. Agora as coisas ficam ainda mais confusas em relação ao trono. Quem comandará o reino daqui para frente? E como os outros pretendentes à coroa receberão a notícia da morte de Joffrey? .
9.5/10

- casamentos em game of thrones possuem finais um tanto inesperados.
- margaery tyrell é viúva pela segunda vez. a garota, definitivamente, não é um bom partido!
- por onde anda o mindinho?

Crítica: A Regra do Jogo (1939)

regra-do-jogo-1A Regra do Jogo é considerado por muitos críticos como um dos melhores filmes de todos os tempos, algo que é fácil de se entender quando conseguimos perceber a qualidade deste trabalho de Jean Renoir. Confesso que na primeira vez que assisti, não considerei algo assim tão espetacular. Mas o problema era comigo. Faltava-me um pouco mais de experiência cinéfila para compreender e absorver toda a grandeza de A Regra do Jogo.

Antes de falar do filme propriamente dito, acho interessante mencionar que ele foi muito mal recebido na época do seu lançamento, chegando até a ser banido pelo governo. O filme original foi destruído e só não ficamos sem esse magnífico trabalho de Renoir graças a uma reconstrução feita na década de 1950.

A trama apresenta várias temáticas, desde romance, humor pastelão, críticas sociais até a tragicomédia. O que mais chama a atenção é o fato de que tanto a nobreza como os empregados são mostrados com as mesmas falhas de caráter. A futilidade, a hipocrisia e as intrigas amorosas fazem parte da essência dessa sociedade, que parece não perceber que a Segunda Guerra está batendo à porta. Ao mesmo tempo em que rimos, podemos perceber as ironias e o sarcasmo nos diálogos inteligentes. Trata-se de um roteiro primoroso, lapidado da melhor maneira possível.

Não há como não mencionar a espetacular direção de Jean Renoir, um verdadeiro artista da Sétima Arte. A Regra do Jogo é visualmente grandioso, com movimentos de câmera ousados e criativos, que deixam a história fluir com naturalidade. Isso sem falar na profundidade de campo, técnica que foi utilizada com maestria por Orson Welles e Gregg Toland em Cidadão Kane.

Quanto mais vezes assisto, mais consigo perceber os detalhes e admirar A Regra do Jogo. Filme para ser visto e revisto por todos nós, amantes do bom cinema!
9/10

:info IMDb
:curta Intratecal

Teatro: Nem Freud Explica

nem-freud-explicaNão é exagero dizer que João Luiz Fiani e Marino Jr. formam a dupla mais prolífica do teatro paranaense. Quando os dois unem forças o resultado só pode ser algo bem acima da média, como é o caso de Nem Freud Explica, peça escrita e dirigida por Fiani, que também atua ao lado de Marino Jr.

A peça está em cartaz há 14 anos e é um sucesso de público e crítica por onde passa. E o detalhe interessante é que ela parece ficar melhor a cada ano.

Fiani e Marino Jr demonstram uma química gigantesca e cativam a plateia do início ao fim do espetáculo, que se passa em um cenário cheio de possibilidades: o consultório de um psicanalista. O paciente é Frederico, um rapaz cuja vida nada mais é do que sofrimento, afinal quem olha para ele morre de rir. Literalmente.

Os diálogos são recheados de presença de espírito e humor inteligente. O timing cômico de ambos os artistas é impecável.

Nem Freud Explica não é “apenas” uma comédia de muita qualidade, como também faz críticas divertidas à psicanálise e oferece um bom exemplo do teatro do absurdo.

Quando essa bela experiência acaba só nos resta sorrir, levantar e aplaudir.

 

Review: Game of Thrones 4×01-Two Swords

game-of-thrones-two-swordsApós uma longa espera, Game of Thrones está de volta. Esse tempo foi importante para que nós conseguíssemos nos recuperar da carnificina que foi o Casamento Vermelho, não é mesmo? De qualquer forma, estávamos ávidos pelo seriado e esse início da quarta temporada mostra que as coisas que deram certo nas temporadas anteriores serão mantidas. Quando digo isso me refiro, principalmente, a maneira como a história é contada.

Excluindo a última cena, pouca coisa de incrível acontece, mas percebemos que vários caminhos estão começando a ser trilhados nesse sentido. Nada em Game of Thrones é feito com pressa. Praticamente tudo é desenvolvido de maneira correta, permitindo com que o público realmente se envolva com as situações e que sofra (ou se alegre) com as consequências.

Um personagem que passa por um péssimo momento é Jaime Lannister. Não bastasse ele ter perdido a mão direita, ele corre o risco de perder o lugar na guarda real, além de enfrentar o desdém e a frieza do pai e as reticências da irmã. Como se fosse pouco, ele ainda precisa aguentar a arrogância habitual de Joffrey. As coisas não estão nada fáceis para o regicida.

Quem também passa por um mau bocado é Jon Snow. Alguns de seus companheiros da Patrulha da Noite desconfiam de suas atitudes no lado de lá da muralha, cogitando até severas punições. A sorte é que o Meistre Aemon ficou do lado dele. O problema é que, enquanto isso, os selvagens se organizam para um grandioso ataque.

Sansa continua exatamente a mesma: ela sofre e não faz nada para mudar sua situação. Agora com a morte da mãe e do irmão Robb, a garota está ainda mais isolada. Muitos tem uma verdadeira aversão a esta personagem, mas bem que em algum momento ela poderia tomar algum tipo de atitude em seu próprio benefício. Será que ela não cansa de ser uma coitadinha?

Tyrion Lannister recebe Oberyn Martell, um homem da realeza de Dorne que parece não aceitar levar desaforos para casa. As rusgas dele com a casa Lannister são enormes. Ainda vai dar pano para manga.

Quando digo que as situações em Game of Thrones vão ganhando em intensidade aos poucos, posso citar dois exemplos vistos neste episódio: Tyrion tem uma conversa séria com Shae, que está irritada por vê-lo casado com Sansa. Para complicar, uma aia de Cersei escuta essa conversa e vai correndo contar para ela. É mais uma vantagem de Cersei em relação a Tyrion. Como será que ela vai proceder com essa valiosa informação?

Outro ponto são os dragões. Eles estão cada vez maiores e mais famintos. Sir Jorah informa Daenerys de que os dragões não podem ser domados, nem mesmo pelas mães. Imaginem se o poder de destruição desses enormes animais não for usado de acordo com os desejos de Daenerys? Tudo pode acontecer.

A cena chocante foi reservada para o final e com Arya Stark. Esta é uma das personagens preferidas de muitos e neste episódio ela amadurece ainda mais. A garota está sendo levada pelo Cão de Caça até a casa de sua tia Lysa. O objetivo do Cão, é claro, é faturar uma grana. O fato é que os dois param em uma estalagem e lá encontram uma companhia de ladrões. Arya reconhece Polliver, aquele mesmo que havia roubado a sua estimada espada agulha e matado um de seus amigos.

O pau quebra, o Cão de Caça acaba com quase todo mundo e recebe ajuda de Arya, que não hesita em tirar a vida de Polliver, não sem antes fazê-lo se lembrar de quem ela é.

É chover no molhado dizer que um episódio de Game of Thrones passou voando e este não diferente. Vale ressaltar que tivemos vários diálogos que serviram para nos lembrar de alguns fatos passados. Trata-se de uma atitude bem interessante, afinal são muitos personagens e muitas tramas e subtramas.

Two Sords representa um começo bem promissor para um temporada que promete. Qualidade virou rotina quando o assunto é Game of Thrones. Sorte nossa!
8.5/10