Crítica: Sob a Pele (2013)

sob-a-pele-posterSe você está interessado em assistir a Sob a Pele apenas pela nudez de Scarlett Johansson é melhor pensar duas vezes. É fato que ela aparece aqui como veio ao mundo, mas se você não tiver a mente aberta para uma experiência cinematográfica diferente as chances de se sentir entediado são grandes.

Já li críticos que o comparam com 2001 – Uma Odisseia no Espaço, seja pelo sentimento inicial de que não estamos entendo nada ou pela previsão de que este é um filme que vai ser discutido ao longo dos anos e receberá o selo de obra-prima. Quanto mais penso em Sob a Pele, mais compartilho dessas ideias, só que com ressalvas: apesar de se destacar em termos visuais e nas reflexões que proporciona, tais aspectos estão abaixo daqueles vistos no seminal trabalho de Kubrick. Mas isso está longe de ser um problema.

under-the-skin-2013-2O que o enredo tem de criativo ele também tem de simples: Scarlett Johansson interpreta uma alienígena que chega na terra com o propósito de seduzir o maior número possível de homens, capturá-los e (possivelmente) enviá-los para seu planeta natal na forma de suprimento.

Chama a atenção o espetacular visual alcançado pelo diretor Jonathan Glazer. É criada uma atmosfera das mais pesadas. Somos absorvidos pela história de uma maneira inevitável e acompanhamos com curiosidade o misterioso desenrolar dos fatos. Aqui não há exposição e quase nada de diálogos. Muita coisa fica aberta a nossa interpretação.

under-the-skin-2013-4Uma coisa que podemos dizer é que a alien passa por uma mudança ao longo do filme. Antes ela fazia seu serviço de maneira automática, porém quando percebe que os seres humanos são capazes de boas ações, a alien parece hesitar diante de suas presas.

Somos livres para pensar que o roteiro faz um comentário crítico contra o ideal de beleza propagado mundo afora, entre outras reflexões.
under-the-skin-2014Junte um pouco de crítica social, um enredo original, uma performance acima da média, um ritmo contemplativo e inúmeras possibilidades e temos um grande filme. Se vai alcançar o grau de obra-prima, apenas o tempo poderá dizer. 8/10

Crítica: Os Carrascos Também Morrem (1943)

hangmen-also-die-1943Fitz Lang é um dos maiores cineastas de todos os tempos, mas Os Carrascos Também Morrem não é um de seus melhores filmes. Apesar de tudo, não deixa de ser uma experiência valida, principalmente quando focamos mais nos aspectos técnicos ao invés da história.

Acompanhamos aqui o assassinato do general Heydrich e a incessante busca da gestapo pelo responsável. É interessante ver como os habitantes de Praga decidem proteger o assassino, mesmo com os métodos cruéis dos nazistas. Cada sacrifício pessoal é um passo rumo a vitória na guerra. Isso fica bem claro. É uma pena que faltam mais momentos de impacto e um envolvimento maior nosso com os personagens. Fica difícil dizer se a culpa foi dos atores ou do próprio roteiro.

De qualquer forma, o filme consegue mostrar muito bem as atitudes opressoras da gestapo e o medo da população. Ele tem quase todas as qualidades de um bom noir, como a iluminação, o uso das sombras  e a fotografia em preto e branco, mas no geral ficou devendo.
7/10

Crítica: 48 Horas! (Went the Day Well?, 1942)

went-the-day-wellNunca tinha ouvido falar no diretor Alberto Cavalcanti e foi com muita surpresa que descobri que ele era brasileiro. Responsável por este clássico um tanto esquecido, Cavalcanti nasceu no Rio de Janeiro em 1897 e iniciou a carreira no cinema em 1920 na França.

O filma nos mostra uma vila inglesa recebendo soldados em busca de um local para descansar e planejar uma defesa contra um iminente ataque nazista.Na verdade, esses soldados são alemães disfarçados de aliados. Tal descoberta é feita aos poucos pelos habitantes, proporcionando cenas de suspense e tensão.

Algumas coisas soam absurdas, é verdade, mas Cavalcanti transmite um tom de urgência quase palpável e assim entramos de corpo e alma na história. Algumas sequências se destacam pela violência e outras pela coragem dos ingleses defendendo o lar da ameaça alemã.
8/10

 

Crítica: Correspondente Estrangeiro (1940)

correspondente-estrangeiro-1940Ainda que Correspondente Estrangeiro não esteja no rol dos grandes filmes de Alfred Hitchcock, é inegável que trata-se de um ótimo entretenimento, com direito a cenas bem construídas em termos de suspense e também a eficientes momentos de um humor inesperado.

Com a Segunda Guerra prestes a estourar, um jornalista americano é escolhido para ser enviado a Europa por desconhecer completamente o assunto a ser noticiado. Chegando lá ele se depara com situações das mais suspeitas e tipos extremamente misteriosos.

Hitchcock já começava a se estabelecer como um grande nome do cinema, aprimorando sua técnica a cada novo filme. Aqui ele conseguiu adicionar muita tensão para a história, além de utilizar truques para criar efeitos especiais competentes em cenas de ação.

Há um pouco de propaganda na última cena, algo compreensível dado o cenário mundial na época. As falhas do filme ficam por conta do romance bobo e da duração um pouco exagerada.
7/10

Os Melhores Álbuns de 2014 (primeiro semestre)

Ainda não tivemos uma obra-prima em termos musicais, mas o ano de 2014 já revelou bons álbuns, inclusive com algumas surpresas. Tem link para escutar um playlist de destaques de cada disco.

Drive-By Truckers – English Ocean
album-english-ocean-2014
Ouça: Primer Coat

Lykke Li – I Never Learn
album-i-never-learn-2014
Ouça: No Rest for the Wicked

Trust – Joyland
album-joyland-2014
Ouça: Barely

Against Me! – Transgender Dysphoria Blues
album-transgender-dysphoria-blues
Ouça: Black me Out

Cloud Nothings – Here and Nowhere Else
album-here-and-nowhere-else-2014
Ouça: I’m Not Part of Me

Sun Kil Moon – Benji
album-benji-2014
Ouça: I Love My Dad

Real Estate – Atlas
album-atlas-2014
Ouça: Had to Hear

Jack White – Lazzareto
album-lazaretto
Ouça: Three Women

The Pains of Being Pure at Heart – Days of Abandon
Print
Ouça: Eurydice

10 Future Islands – Singles
album-singles-2014
Ouça: Seasons (Waiting on You)

Escute essas dez músicas clicando aqui

Crítica: O Grande Ditador (1940)

o-grande-ditador-1940O Grande Ditador pode não ser um dos trabalhos mais divertidos da carreira de Charles Chaplin, mas é, sem dúvida, um dos mais inspirados e memoráveis. Aqui ele interpreta tanto o ditador Adenoid Hynkel, como o barbeiro judeu que acordou de um longo coma. Hynkel é uma sátira a Adolf Hitler, algo que fica bem claro pelo característico bigode e pelo eloquente discurso proferido pelo personagem no início. Chaplin foi capaz de imitar e exagerar os trejeitos do ditador alemão, deixando-os extremamente engraçados.

O cineasta critica o regime nazista de uma maneira leve, o que se explica pelo fato de que durante a produção do filme, o mundo não tinha pleno conhecimento das selvagerias cometidas na Europa. Posteriormente, Chaplin disse que não teria feito O Grande Ditador se soubesse das atrocidades que aos poucos foram reveladas.

Quem também é satirizado é Benito Mussolini, o ditador italiano. As sequências que mostram Hynkel e Napaloni tentando parecer um mais importante do que o outro são hilárias. Não foi à toa que Jack Oakie recebeu uma indicação ao Oscar de ator coadjuvante.

Ficam claras a inteligência, a sensibilidade e a coragem de Chaplin em cada segundo do filme. Apesar de ser um pouco mais longo do que deveria, a experiência jamais se torna cansativa, ainda mais quando o personagem vai embora e entra Charles Chaplin com um discurso sincero e emocional no ato final. Pode não ser um final tão eficiente em termos narrativos, mas é brilhante em termos humanitários. E isso era o que mais importava.
9.5/10

 

 

Game of Thrones – Quarta Temporada

Para deixar organizado, apresento aqui os textos de todos os episódios da quarta temporada de Game of Thrones, com SPOILERS, claro:

4×01 Two Swords
4×02 The Lion and the Rose
4×03 Breaker of Chains
4×04 Oathkeeper
4×05 First of His Name
4×06 The Laws of Gods and Men
4×07 Mockingbird
4×08 The Mountain and the Viper
4×09 The Watchers on the Wall
4×10 The Children

Melhores episódios: The Watchers on the Wall, The Lion and the Rose, The Mountain and the Viper, Oathkeeper.

Pior episódio: Breaker of Chains.

Grandes momentos: morte de Joffrey, morte de Oberyn, o bebê transformando-se em caminhante branco, julgamento de Tyrion e seu discurso, conversa de Oberyn e Tyrion em “Mockingbird”, a sequência sem cortes na batalha vista em Watchers on the Wall, Cão de Caça x Arya, Brienne x Pod.

Poderia ter sido melhor: fuga de Tyrion com morte de Shae e Tywin

Melhor ator: Peter Dinklage (Tyrion).
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Melhor atriz: Maisie Williams (Arya).
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